Histórias de uma família tricolor
Autor : Dimas Lins | 28 de março de 2007 | 15:21h | Sem categoria | 3 comentários
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Foto: Lenira Macedo |
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Dimas e Jonas ainda em São Paulo: reencontro 26 anos depois |
Dimas Lins
Esta história é baseada em fatos reais e outros nem tanto. Mesmo assim, quaisquer semelhanças com nomes, pessoas ou times não serão meras coincidências.
Hoje tem jogo do Santa e eu iria aproveitar a oportunidade para chamar meu irmão, de férias com a esposa aqui em Recife, para ir comigo. Jonas, o irmão, esteve ausente da cidade há mais de 26 anos. Aos 17 anos, ingressou na marinha de guerra, porque achava papai durão. Acreditava que na marinha sua vida não seria tão dura e, anos depois, mandou avisar que tinha razão. Meio cético, ainda acho que a marinha de guerra era mais difícil de encarar do que papai.
Jonas fixou residência no Rio desde então e, seis anos atrás, mudou-se para São Paulo, quando se casou com a paulista Silvia. Sua última passagem por Recife foi no início da década de oitenta. Neste meio tempo, muita coisa mudou. A cidade cresceu aos olhos dele e poucas são as coisas que mantém os traços originais, como a velha rua Padre Floriano, aquela mesma do Galo da Madrugada, onde crescemos e fomos criados por entre as mais ricas formas de expressão cultural do nosso carnaval. Em visita ao velho bairro, Jonas ainda pôde ver que o antigo Beco do Veado (o nome deriva do ungulado da família dos cervídeos e não do mamífero bípede de trejeitos efeminados ou pusilânimes) mantém uma pequena escultura do animal pendurada em uma de suas esquinas, como há trinta anos atrás. Aposentado, o velho marinheiro ainda acalenta o sonho de viver novamente em Recife, cidade que nunca esqueceu.
Quanta mundança de lá para cá. Tanto assim que o vivente até deixou de beber. Mas algo manteve-se intacto, inquebrantável: a paixão pelo Santa Cruz. Mesmo passando a maior parte de sua vida no Rio, Jonas não se deixou levar pela sedução dos clubes cariocas. Um bom exemplo para paraibanos e alagoanos. Três anos atrás (Jonas diz que a cronologia dos fatos remete à mais de dez anos), prometi lhe enviar uma camisa oficial do Santa Cruz. Finalmente, no final do ano passado, quando estive em São Paulo, paguei a dívida contraída, entregando a camisa coral.
Mas volto ao cerne da questão. Eu iria aproveitar a oportunidade, notem o tempo verbal da ação, para convidá-lo a ir ao jogo comigo. Dois fatores, me fizeram desistir. O primeiro deles, voltei a fazer o curso de webdesign à noite e quem é da área, que ainda não é o meu caso, sabe que o negócio é caro pra chuchu. E mesmo com o aumento de circulação da moeda no mercado financeiro, minha conta bancária continua de dar dó. Assim, deixar de ir ao curso é como jogar dinheiro pela janela. O segundo motivo é que o cara passa 26 anos sem aparecer em Recife e eu o levo para assistir a um jogo nos Aflitos? Diante disso, imaginei o seguinte diálogo que me fez desistir definitivamente da idéia.
– Animado para ir ao jogo de hoje?
– Jovem, não vejo a hora – esse negócio de chamar os outros de jovem vem da convivência nefasta com cariocas.
– Beleza.
– O Santa vai jogar contra quem?
– Contra o Central de Caruaru, lembra?
– Lembro, vai ser mole.
– Mais ou menos…
– Como assim “mais ou menos”?
– Sabe como é, né? O Santa anda derrapando no campeonato…
– Mas é o Central!
– Pois é… mesmo assim é bom não cantar vitória antes do tempo.
– Tá bom. Mas tô doido mesmo é para ir ao Arruda.
– Mas o jogo não vai ser lá.
– Vai ser onde?!
– Nos Aflitos.
– Mas esse não é o estádio do Náutico?
– Olha o respeito, estádio não, casa da barbie! É sim.
– E por que o Santa vai jogar lá?
– Por causa de um rubro-negro que dirige a Federação Pernambucana de Futebol.
– Espera aí, o jogo contra o Central não vai ser mole, nós vamos jogar na casa da, como é mesmo, barbie e por causa de um rubro-negro?
– É.
– Acho que passei tempo demais fora e ando meio desacostumado com essas coisas.
Percebendo que o sujeito poderia perder o chão, decidi levá-lo por esses dias ao Arruda, verdadeiro templo do futebol, mesmo vazio, mesmo sem jogo. É só para dar ao irmão tricolor uma sensação de familiaridade. É só para lembrar ao irmão ausente que ele realmente voltou para casa.
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boa!!
leva ele domingo contra o Vera Cruz! vamos ganhar o jogo, e precisamos da ajuda da torcida!!!
Jovem, vc mandou bem!!! rs rs rs
Aí jovem, mandou bem!!!