Gente importante, gente tricolor

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Manequinha, no destaque, e o irmão Raul entregam troféu a Zé do Carmo

Manequinha
 
Amigos do blog, boa semana Santa para todos!
 
Pessoal, eu sempre fui contra esses caras que abusam de algum tipo de autoridade. Existe coisa mais chata do que você ver na fila de um cinema um camarada metido a forte e besta querer entrar numa sala lotada a pulso dizendo que é policial ou coisa parecida? Eu, particularmente, acho que grandes poderes trazem grandes responsabilidades e, por isso, sempre devem ser bem utilizados.
 
Mas, como ninguém é de ferro, vou dar minha carteirada tricolor no blog! Pois é, acreditem se quiser, eu, um dia, já fui importante. Por alguns instantes, me senti como Cafu em 2002, depois do Brasil ter ganho a Copa.
 
Estávamos no ano de 1986. Nessa época, meu pai e meu tio eram muito ativos na vida do Santa Cruz. Eram conselheiros, iam a todos os treinos, todos os jogos, enfim, dividiam suas vidas de maneira que nosso Santinha sempre tinha sua importância destacada. Já tínhamos um bom time, com jogadores como Marlon, Birigui, Lula, Ivan, e, eis que surge de presente para o torcedor coral a seguinte notícia: O Santa contratou Jacozinho! Eu tinha apenas 9 anos, mas, lembro-me perfeitamente da festa entre os torcedores, do zelador do meu prédio, passando pelo caseiro de minha casa de praia até meu professor de educação física na escola Ciranda Cirandinha. E, o jogo de estréia de Jacozinho seria contra o CRB no Arruda. Um dia realmente de festa, com bingo sorteando carro e tudo que tinha direito.
 
Contagiado e eufórico, meu tio Baltazar chegou lá em casa na hora do almoço (é claro, né, tio? Rango bom e barato!) e propôs o seguinte a meu pai, sentado na mesa diante de todos nós:
 
― Maneca?
― Diz, Baltazar!
― Eu tava pensando eu comprar um troféu para dar ao Santa…
― Que idéia é essa, Baltazar? Quem já viu dar troféu sem o time ganhar nada?
― A gente dá o troféu para quem vencer o jogo Santa x CRB!
― Mas, e o Santa perder, vamos dar um troféu para o CRB?
― Perder que nada, Maneca, tais doido é?
― É, vamos ganhar. Mas quem entregará esse troféu?
― Os meninos né, Maneca!
 
Parem todas as máquinas! Os meninos que eles se referiam, éramos EU e meu irmão Raul, o peido mais violento do Arruda, na época com 6 anos. Nem precisa dizer que mesmo que meu pai quisesse, eu e meu irmão não o deixaríamos desistir.
 
Assim, a família Valença começou a se mobilizar para por em prática a idéia de meu tio Baltazar. Quem tinha dinheiro fez cota, quem não tinha, foi cotar os preços e comprar. Enfim, todos ajudaram na família.
 
Chegou o dia do jogo. Como de costume, chegamos cedo ao Arruda e ficamos na sala de imprensa, a concentração oficial dos mascotes do time. A sala estava superlotada naquele dia. Lembro-me bem de alguns jogadores que, após prontos e vestidos para o jogo, saiam dos vestiários para ver seus filhos. Era uma alegria total.
 
Entramos em campo, depois de 40 horas de espera. Não sei por que, às vezes para uma criança, um minuto demora 10 minutos para passar (aliás, para nós, numa sexta feira, dia de jogo do santa também). A tradicional foto com o time, a tradicional pelada de 10 minutos até o FDP do juiz nos expulsar, para começar o jogo e voltamos para as sociais. Meu pai estava lá me esperando, junto com minha mãe (acho até que foi a última vez que ela pisou num estádio ― esse ano, espero que ela vá de novo, pois, meu pai voltou a ir também). Sobre detalhes táticos e técnicos, os amigos me perdoem, mas, tava mais preocupado com picolés, salsichão, churrasquinho e guaraná, mas, claro que sabia onde o Santa fazia gol. Desafio algum amigo a fazer a análise tática desse jogo. E aí Artur, se habilita?
 
E o jogo terminou 1×1. Parece comédia. Meu pai cogitou do Santa perder, meu tio só pensou no Santa ganhando e ninguém lembrou que numa partida de futebol, existe um terceiro resultado: o empate.
 
E, agora, de quem é a taça? Quem levaria o troféu? E, durante esse debate, nosso capitão Zé do Carmo saiu de junto e tomou o caminho dos vestiários. Ele era o último jogador do Santa no campo. Quando o vi saindo puxei as mangas de meu pai e falei:
 
― Painho, Zé do Carmo ta indo embora!
―Vá correndo buscar ele, meu filho, que vamos dar o troféu para o Santa!
 
Corri mais rápido que Bem Jonhson dopado. Cheguei a tempo e evitei que ele entrasse no vestiário. Atencioso, ele voltou e recebeu das pequenas mãos minhas e de meu irmão o tão cobiçado e disputado troféu. Esse fato é o da foto que vocês estão vendo nesse tópico.
 
Assim, modéstia a parte, eu posso me gabar disso. Já entreguei um troféu a Zé do Carmo! E, por último, por último mesmo, para não estragar a festa, digo que a praxe é a seguinte: existindo um troféu em disputa numa partida amistosa, se o resultado for empate, quem leva é o visitante! Meu pai e meu tio sabiam disso, mas, das mãos de um Valença, nunca sairia, nem sairá, nada em homenagem a outro time, mesmo que essas mãos tivessem apenas 9 anos e preferissem picolé à cerveja Frevo.
 
Um grande abraço a todos e espero que nossos filhos possam lembrar de fatos como esse na história de nosso clube, nosso mais querido, nosso Santa Cruz!
Estradar

15 comentários

  1. Pense num texto arretado!

  2. Dimas, tu pode gravar em dvd o vídeo que fizesse da apresentação da ARENA CORAL e levar ainda hoje pro TELÃO CORAL?

    É que junto com os telões haverá também a locação de um dvd, e acredito que seria interessante transmitirmos esse teu vídeo antes da vitória do santinha, pra dar maior publicidade ao projeto e motivar ainda mais os torcedores presentes no TELÃO CORAL.

    Se conseguir, vai ser massa!

    Abraço

  3. Manequinha, que inveja, quando criança qual o tricolor que não queria ser mascote? Sinceramente não lembro do jogo, nesse tempo eu morava em Campina Grande. A maior recordação que tenho de Jacozinho foi em uma partida o Palmeiras em que ele humilhou um lateral uruguaio chamado Diogo. O gringo ficou puto e baixou o sassafo, foi expulso. Do outro lado campo Marlon entortava um tal Denís. Hoje, o filho do lateral Diogo, também se chama Diogo e é lateral do Villa Real e seleção do Uruguai. Sempre que vejo o dito cujo jogar lembro do passeio do Jacozinho sobre seu pai.

    Parabéns pelo texto e pelo seu dia de craque!

  4. Fabiano Pinheiro
    4

    Como é que se baixa esse vídeo no Youtube??? Tô apanhando!

  5. Misticamente, foi fundamental o gesto de Manequinha, ao puxar as
    as mangas do pai e sair correndo atrás de Zé Carmo. O destino do Santinha poderia ter sido outro, caso não acontecesse a oferta do troféu. Como ateu, posso perceber a sincronia, a relação entre esse evento e o momento que estamos passando agora: o renascimento do Santinha. Foi um momento luminoso. Não existe passado: Manequinha pivete reencontra-se no gesto com Manequinha adulto. Endoidei? Não, pessoal, mas hoje é dia de jogo, dia de superstição, dia de apelar para as forças místicas, dia de reza. A sincronia é óbvia, mesmo para um ateu.

  6. Manequinha:

    Eu acho que o jogo da estréia de JacozInho foi contra o CSA e não contra o CRB no Arruda. Este jogo eu estava lá nas arquibancadas do Colosso. Jacozinho jogava no CSA e foi negociado ao Santa Cruz.

  7. Manoel Valença
    7

    Rouse

    Meu amor, que orgulho saber que tu já entraste em campo para dar um troféu ao seu querido time, eu acho que Zé do Carmo nunca recebeu uma homenagem tão bonita em um dia que o time não merecia nenhuma comemoração só mesmo a família Valença FANATICA, poderia fazer isso, acho sinceramente que foi nesse dia que você foi condenado a torcer por esse time que continua nem sempre te dando muita alegria, mas mesmo assim você não deixa nunca de prestigiar com sua linda e disputa presença.

  8. Ainda estava 1×0, e escrevia um torpedo para Dimas: “não é possível que a gente perca dessa bosta desse time”. Aí a gente leva o segundo. Não mando a mensagem, mas me deu vontade de escrever outra, ligeiramente diferente: “é possível, sim, perdermos dessa bosta desse time”. Lutaremos contra o rebaixamento? Parece que sim. Pelo menos, vamos economizar um milhão de reais…

  9. Agora, caiu a ficha: perdemos para um time que tem Luciano Bebê no meio-de-campo…

    Bem… er… tive um surto de risos histéricos. Ai, ai, é difícil, é difícil…

  10. Paulo Aguiar
    10

    É Artur, estou com este pensamento desde o início da série B… mas tive receio de externar… vamos lutar pra não cair… o que vier depois, é lucro.

  11. Paulo Aguiar
    11

    Estamos somente 1 ponto na frente da faixa do desespero….
    Eu tenho impressão que este é o nosso mal, ainda não entramos na zona de rebaixamento.
    TALVEZ, se isto tivesse ocorrido, teriamos: um treinador, dois cabeças-de-área, um esquema tático, um grupo de 28 jogadores e não de 34 – muitos improdutivos, esquecidos de olhar os erros da arbitragem, esquecidos de se alegrar apenas com as derrotas dos outros times de PE na série A, esquecidos de lembrar que Lecheva perdeu um pênalti ano passado …. Enfim, teríamos acordado para o hoje, para a realidade!

  12. Marco - de Natal/RN
    12

    O bom de ver essas fotos antigas é ver o quanto os uniformes do Santa Cruz eram bonitos. E feitos por uma empresa decente, a Adidas. Hoje em dia tem que babar o ovo da Finta por que ela é “parceira”. Sei não viu…

    Esse ano de 2007 é lutar para não cair e isso já tá bom demais. Não é pessimismo, é realismo. Chega de sonhar, tem que fincar bem os pés no chão e encarar as coisas de frente.

  13. Oscar Paz
    13

    Arretado, bom texto!

  14. que bom ,que saudades de vcs mando um abraço pra todos vcs seu lembra quando nós jogamos em caruaru que eu fiz o gol da vitoria e ganhei um bode. foi engraçado.

  15. que bom ,que saudades de vcs mando um abraço pra todos vcs seu lembra quando nós jogamos em caruaru que eu fiz o gol da vitoria e ganhei um bode. foi engraçado.HOJÉ ESTOU EM VILA VELHA NO ESPIRITO SANTO,COMO EMPRESARIO,ASSESSOR FEDERAL E TÉCNICO DE FUTEBOL. ESTOU PREPARADO PRA ASSUMIR.KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK. QUE DEUS ABENÇOE TODOS VCS, HOJE SOU EVANGELICO.FICA NA PAZ DO NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.

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