Entre o cristal e a fumaça
Autor : Artur Perrusi | 27 de setembro de 2008 | 0:22h | Artigo | 28 comentários

Onde ficar?
Esperei a formação da chapa para escrever uma análise mais detida sobre todo o processo. Tentarei ser realista – nem otimista, fazendo apologia da ação, nem pessimista, assassinando a ação. Antes de tudo, digo minha posição: apóio e faço parte da chapa. Mas esclareço: é um apoio e uma participação independente, o que significa, do meu ponto de vista, aprovação quando a proposta for boa e reprovação, quando não for conveniente. Aliás, por enquanto, defendo todas as propostas lançadas até o momento, mas gato escaldado tem medo de água fria – nesse sentido, lembro-me, e não quero esquecer, do meu apoio incondicional à chapa do diminutivo. Acho que aprendi com a desgraça.
Sinceramente, acredito que não havia opções. Sem o aparecimento de FBC, estávamos lascados. Ressaltar tal necessidade não significa oba-oba, e sim entender a nossa conjuntura. O diminutivo, de fato, destruiu o clube a tal ponto que só restou escombros. Diante de uma catástrofe dessa magnitude, a única saída era e é a captação de recursos urgentes para a Reconstrução do Santinha. Recurso era e é a palavra-chave e significava e significa simplesmente: “não adiantam discurso, projeto, articulação política, boa vontade, o escambau, sem recurso”. Ora, nenhuma candidatura tinha recursos, nem as oposições, nem o LEF (Lado Escuro da Força — um eufemismo para designar os inimigos do mundo coral). Desse ponto de vista, o surgimento da candidatura de FBC foi quase um milagre, pois os recursos, desde então, começaram a aparecer como cogumelos em dias de chuva. E, vale dizer, não apareceram somente bens financeiros imediatos, mas também articulação e força política (a chegada da luz elétrica é um exemplo bem evidente), que são recursos, convenhamos, tão valiosos quanto os materiais.
Sem dúvida, ainda me espanto com o surgimento dessa candidatura. Quem sabe, um dia, aparecerá alguém para contar as estórias desses bastidores misteriosos que levaram FBC a assumir o Clube do Santo Nome. Afinal, ele apareceu subitamente, sem motivo aparente, justamente quando as oposições davam algumas patinadas nas negociações. Nesse sentido, reconheço que tivemos sorte, pois o clube acabaria no compasso de nosso desespero. Mesmo se as oposições ganhassem as eleições, um projeto de gestão, mas sem recurso, isto é, um projeto irrealizável, apenas dignificaria o tombamento do Mais Querido.
Pessoalmente, acho que o Santinha precisaria, nesse momento trágico de sua história, da combinação de três fundamentos: democracia, gestão e dinheiro. Cada elemento desse, sozinho, não daria conta da situação atual, mas a combinação, sim. Só democracia, e seríamos as matracas de um sonho ou de uma fantasia; somente gestão, e seríamos os gestores do vazio, e, apenas dinheiro, seríamos esbanjadores inconseqüentes. O ideal, claro, seria a combinação dos três fundamentos. Porém, não está claro que isso acontecerá; na verdade, o que haverá, provavelmente, será a combinação entre gestão e dinheiro, isto é, ocorrerá uma modernização do clube. Já a democratização do Arruda… bem… er… fico pensando se não será muito mais baseada numa implementação do estatuto (o que é interessante), configurando os limites da ação político-administrativa do clube, do que na participação efetiva dos sócios nos processos decisórios.
Dada a situação, FBC é um salvador da pátria, embora muitos discordem dessa opinião, o que é curioso. Vou repetir: é um salvador da pátria! Surgiu como um raio em pleno céu azul, criou uma imensa expectativa e, de forma carismática, abocanhou o executivo, o conselho deliberativo e a patrimonial. As oposições e, até mesmo, o LEF deram carta branca ao futuro presidente. Houve discussão de projeto? Na verdade, houve menos discussão do que a oferta dos projetos a FBC – a sua simpatia pelos projetos das oposições não autoriza, necessariamente, a conclusão de que os implementará de fato, embora muitos sinais digam que sim. O que houve foi um raro acordo de confiança, baseado na esperança de que os planos sejam realizados. Provavelmente, aconteceu, pelo menos nas oposições, uma fenomenal empatia com o político de Petrolina. Gerou-se, nesse processo todo, uma extraordinária confiança, a ponto de as oposições renunciarem a qualquer cargo no executivo e abdicarem da maioria no conselho e na comissão patrimonial.
De todo modo, mesmo tendo formalmente a maioria, o conselho é um espaço mais ou menos flutuante, onde o processo decisório dependerá muito da luta política interna (as oposições precisam estar atentas a esse fato, pois será decisivo na luta contra o LEF). Pelo que percebi, FBC não tornou secundário o conselho; aliás, tudo indica que foi justamente o contrário; enfim, o conselho terá vida própria. Em suma, resumindo meu argumento, o que ocorreu foi um tipo de movimento de doação que só acontece diante de um salvador.
(Um salvador que tem força política, tem know-how em gestão publica — é inegável que Petrolina desenvolveu-se bastante na sua prefeitura, e FBC é formado em administração pela FGV – e acesso a recursos. Minha avó diria: esse homem caiu do céu!)
Bem, paro um pouco, leio o que escrevi acima e vejo que, até agora, a análise é positiva. Claro, partilho também da confiança generalizada em torno de FBC. Mas quero discutir, igualmente, alguns “poréns”. Serei esquemático para facilitar a discussão.
- primeiro o óbvio: FBC é um político. É do tipo mais ou menos convencional que deixa visível sua tática, mas que, ao mesmo tempo, oculta sua estratégia. O que significa politicamente, para FBC, assumir a presidência do Santinha? Curiosamente, não li ninguém fazendo essa pergunta tão singela. Ele não está abandonando a política pela presidência do Mais Querido. Ele é, atualmente, uma figura carimbada da grande política de Pernambuco. Tem interesses e representa interesses. Não é por altruísmo, convenhamos, que FBC topou esse desafio em reconstruir o clube. Faz tempo que o altruísmo, na política, desapareceu nas calendas da democracia contemporânea. Interesse é a palavra-chave. Ora, penso que o objetivo de FBC, como já foi explicitamente declarado por ele mesmo (aqui), é o senado em 2010. O Santinha seria uma forma de ampliar sua base eleitoral, ainda muito restrita ao interior? Sei que o clube midiatiza qualquer ser humano – até o diminutivo, infelizmente. Caso seja isso, considero uma boa estratégia política. Por que não?
- Por que não?! Contanto que FBC consiga o equilíbrio entre seus interesses políticos e os interesses da instituição Santa Cruz Futebol Clube. Conseguindo a dosagem certa, não vejo problema. Mas fica o alerta, já que os interesses têm a tendência, quando contrariados e diante de impasses, de tornar as instituições instrumentos de suas estratégias políticas.
- Ducaldo já fez de forma precisa a crítica, mas a repetirei, novamente: discordo da forma pela qual foram feitas as articulações (falo do processo comandado por FBC). Foi uma maneira bem típica de se fazer política. É o que se chama de realpolitik, uma maneira mais ou menos incompatível com processos políticos transparentes. E defender transparência, convenhamos, é exigir a explicitação pública dos interesses em jogo. Foi por causa dessa maneira mais ou menos opaca de se fazer política que se gerou o “consenso”. Pra que “consenso”? Qual foi o objetivo político em juntar as oposições ao LEF em torno de FBC? Ele não queria um bate-chapa? Desgastaria sua imagem? Ora, ora… Tivemos uma oportunidade única de eliminar o LEF do clube. Eles estavam isolados e desmoralizados. Com a “união”, demos uma sobrevida ao grupo. E tal fato pode ter sérias repercussões no futuro. Sinceramente, a candidatura de FBC, dada a sua magnitude, poderia sair sem consenso. Ela atropelaria de qualquer jeito o LEF. Infelizmente, um dos defeitos da realpolitik é, em nome de alguns interesses, perder oportunidades históricas.
- Sim, discordo do consenso. As explicações não me convenceram. Além do consenso, sou contra a contemporização. Não engulo a indicação do diminutivo como membro da chapa. Pra quê?! Agrado, pena, compaixão, piedade, dó, condolência?! O quê?!
Enfim, é isso…
Creio que o meu balanço tenha sido bem positivo. Minha discordância não é tão relevante quanto minha concordância. De todo modo, acredito que existam dois excessos: excluir o otimismo e admitir apenas o otimismo. Contudo, não sou propriamente um otimista, mas sou um esperançoso. E, quando a esperança é baseada nos fatos, o melhor lema é o de um antigo revolucionário italiano: pessimismo da inteligência, otimismo da vontade.
Bora ver.
28 comentários
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Melhor análise até agora. Sugiro que expliquem o que é LEF, alguns visitantes certamente não leram os artigos anteriores.
Tua ordem é um imperativo categórico, ô mago da informática, cibernética, telemática, robótica, o escambau! Notifiquei o que é o LEF (Lado Escuro da Força — um eufemismo para designar os inimigos do mundo coral).
Artur,
Vou agregar outra coisa que você não irá gostar (pelo menos eu não gostei): Alexandre Ferrer – o cavalo do cão no jogo do diminutivo para se manter na presidência, diante da tentativa de afastamento pelo assembléia de sócios – fará parte do conselho de empresários. Podíamos dormir sem essa. Tomara que ele sirva ao menos para abrir os bolsos.
Em contrapartida, além das empresas que atacam no varejo, como Tupan, Pamesa, Dislub, Pitu e outras, farão parte do conselho de empresários os presidentes da Philips para América Latina, da Eletrobrás e da Refinaria Abreu e Lima.
Um consolo diante do nome gasto de Ferrer.
Saudações corais,
Dimas Lins
Faz parte da estratégia de contemporização. FBC não se queimará politicamente por causa do clube. A Pitú tem importância no financiamento de campanhas políticas. Como disse no texto, são questões de interesse. De todo modo, o conselho serve mais como grife para propaganda e captação de recursos do que outra coisa (aumentar a tal “confiança” da marca Santinha no mercado). E, claro, espero que Ferrer seja muito mais digno entre empresários do que foi entre os conselheiros (entre pares, o jeito muda, ô, se muda!).
Tomara que minhas esperanças não virem pó, mas nos últimos 20 anos nunca me senti tão esperançoso com o futuro do Santa Cruz como agora. De todos os nomes vivulgados, o único que não permitiria entrar na lista seria o do atual presidente. Entretanto, entendo a forma de administrar de FBC, e sendo assim, sou obrigado a aceitar a inclusão do cabeção. Qualquer possibilidade de rusgas, intrigas e questiunculas deve ser eliminada no momento atual. Os dias passarão, e os inexpressivos naturalmente desaparecerão.
Colegas da tríplice cor, sabe quando perdemos um amor ………….. a carência bate e quem vier é muito bem vindo e a inocência? ……… impera. Ainda bem que alguns tem a consciência mais aflorada. Não tíanhamos nem como escolher, concordo que, com o que vimos até agora, temos mais com o que concordar do que com o que discordar. Sou um otimista mas, é muito bom fiicarmos alertas. Valeu (o texto de Artur disse tudo) ……… não podemos nos embevecer com tudo ……..temos que estar alertas …….. e espero que também felizes por muito tempo.
Saudações corais.
Em todo momento da vida em sociedade sempre há política, nem que seja a do chute na canela (como foi a vivência no conselho moribundo). Ontem, além da coerência do discurso de FBC, vi que finalmente teremos um presidente do conselho à altura do Santa Cruz e da sua torcida. O desembargador Bartolomeu(que tricolor fantástico o velhinho!) vai propiciar o debate interno no mais alto nível. O momento é da ação comunicativa, de influenciar para termos um estatuto democrático e, por conseqüência, blindado a usurpadores. As reticências quanto ao uso meramente político-eleitoral do Santa Cruz por FBC(não precisa e não seria interessante ser “dono” do Clube) são superadas pela visão que apresentou do Clube, a preocupação com o saneamento econômico-financeiro e principalmente por ter colocado o desembargador no Presidente do Conselho. Depende de nós termos o Santa Cruz de volta, definitivamente.
PS: fazia tempo que não me entusiasmava tanto com a possibilidade do exercício da política. Amigos, posso estar enganado, mas esse é um momento raro na vida de um clube de futebol de massa no Brasil.
Execelente texto, verdadeiramente reflexivo.
Texto irretocável.
Resta aguardar o desenrolar dos acontecimentos ao ritmo do contador do blog.
Artur, que belo texto! Expressa nosso otimismo com relação à nova gestão de FBC, ao mesmo tempo que exprime nosso “temor” diante do futuro, após vários desmandos de ex-presidentes.
Acredito que o Santa Cruz FC vai melhorar significativamente. Acredito sim, pois como diria o poeta:
“O otimista pode até errar, mas o pessimista já começa errado!
Sds. Corais a todos!
discordo da ausencia de democracia.
no simples ato de colocar no conselho todas as alas do clube, já estamos caminhando para o debate democratico dentro do forum de articulacao do clube, que eh o conselho deliberativo.
opiniao do socio tem de ser respeitada com certeza. mas as mesmas tem de ser levadas ao conselho deliberativo onde as decisoes e o debate democratico tem de ocorrer.
essa é a função do conselheiro.
o socio que queira participar do debate politico administrativo do clube, deverá percorrer o caminho rumo ao conselho.
abraços
Eu não acho que seja bem assim. O sócio tem que ser representado no conselho. Ele não precisa fazer parte do conselho para ser ativo nas decisões políticas do clube. Essa é minha opinião.
Entendo a preocupação dos colegas. Quando apenas uma pessoa monta o conselho isso pode dar margem para que várias decisões sejam tomadas sem a devida discussão.
No caso do Santa, acredito que isso foi necessário, caso contrário, o verdadeiro enterro do Clube poderia ter, de fato, acontecido. Por outro lado, o que estamos vendo é um paciente terminal começar a dar sinais de que ainda vai viver por muuuuito tempo.
Belo texto!!!!
[]‘s
Erick Ramo
“Novo Santa”, se vc se referiu ao texto, não há nada nele que indique a acusação de “ausência de democracia”. Reconheço, inclusive, que FBC — deduzo dos seus pronunciamentos — dará mais importância ao conselho. Contudo, no texto, há uma crítica implícita de um modelo restrito de democracia.
Aliás, a sua frase “o socio que queira participar do debate politico administrativo do clube, deverá percorrer o caminho rumo ao conselho” é um exemplo, na minha opinião, de um modelo democrático restritivo (repito: falo de restriçao e não de ausência, o que é bem diferente). Há várias formas organizativas de se permitir ao sócio uma participação maior nos processos decisórios do clube que não se resuma à participação no conselho.
Além do mais, o modo como o estatuto define a composição e a forma de organização do conselho é bem restritivo. O conselho não pode ser definido apenas pela chapa vencedora, nem mesmo pela chapa única — maneira, convenhamos, que limita a participação democrática.
Alguns defendem que o conselho deva ser proporcional às chapas concorrentes. É um avanço. Mas, de minha parte, defendo uma votação ao conselho separada da votação ao executivo (o Internacional faz isso, se não me engano). Ainda escreverei sobre essa minha posição. Julgo a mais democrática.
Espero que, na viagem ao Rio Grande, a comitiva tricolor não estude apenas a forma utilizada para se atrair sócios (sem dúvida, importante), mas tb como os sócios colorados participam do clube mais democrático do Brasil: o Internacional.
Por fim, discordo de que “no simples ato de colocar no conselho todas as alas do clube, já estamos caminhando para o debate democratico dentro do forum de articulacao do clube, que eh o conselho deliberativo”. O ato de colocar todas as alas do clube, inclusive as anti-democráticas, como o LEF, foi uma maneira de contemporização e de buscar um “consenso”. Não vejo isso como exemplo maior de uma atitude democrática. E discordo da contemporização com os destruidores do clube, bem como acho esse consenso artificial e inexistente. Serviu apenas a certos interesses…
Muitos colocam a contemporização e o consenso como inevitáveis, isto é, uma necessidade da conjuntura. Mesmo se estivessem corretos, eu não deixaria de fazer a crítica aos “idiotas da objetividade”, para parodiar um escritor.
Artur, muito boa a sua leitura.
Sou um pouco mais crítico do que você, mas não menos esperançoso.
O processo político se assemelha bastante a eleição de Mendonção (político, profissionalização de futebol – trouxe adelson wanderley, novos integrantes na chapa – quem já tinha escutado falar de Tonico Araujo, vice-presidente? -, recursos para o clube – Pamesa, Philips, Peixe…).
Espero apenas que o resultado seja diferentente, afinal, as pessoas parecem ser. Acho que, apesar de fracos, estamos um pouco representados lá dentro.
Rasgamos o estatuto para eleger FBC. Se for para o bem do clube, que tenha sido válido. Todos os que conhecem FBC falam bem da sua capacidade de gestão (o que considero fundamental no nosso clube) e também do seu poder de fogo de atração de recursos. Ele quer crescer, e nada melhor do que assumir um time que ¨morreu¨.
As declarações dele e a forma de agir, até o momento, está me trazendo mais esperança…. espero, sinceramente, que o conselho e a torcida possa participar desta refundação do clube, para o bem do clube.
E, não tenho dúvidas, que, refundando o clube conseguiremos expulsar de vez o LEF do Mais Querido!
abraços!!!
João Caixeiro, Zé Neves, Romerito, Alberto Lisboa, Edinho…
Alguém quer saber mais alguma coisa?
Espetacular este texto, a melhor análise do momento político do santa cruz até agora, parabéns, concordo com a fragilidade do consenso, pois ele não discutiu pontos de projetos, nem de gestão, com os outros grupos de oposição, principalmente com a Aliança Coral, (Que até que enfim apareceu pra dar uma resposta, respostinha aguada, que não explicou nada, mas deu), de todo modo o nome de FBC, e as circunstância que o clube atravessa, sem duvida colaboraram para isso, e entendo que nome melhor não existe.
Estou otimista, quanto a sua gestão, e também com o novo conselho, pois o novo Presidente é um homem seríssimo, e quanto ao “Presidente das Trevas” será um ZUMBI, dentro do novo conselho.O seu nome está por mera costura política insignificante.
Paulinho, só para continuar esse debate, que é bem interessante.
Acho que têm algumas diferenças entre a candidatura de FBC e a de Mendonção, embora concorde que tenham semelhanças:
- FBC negociou diretamente com as oposições (oposições que significam uma renovação, de fato, no clube). No balanço final, o LEF saiu enfraquecido, embora bem vivo.
- FBC tem projeto; Mendonção teve só algumas iniciativas mais ou menos modernizantes. Na verdade, FBC propõe uma reforma estrutural no clube, e isso é fundamental.
- FBC tem, concretamente, uma experiência de gestão e administração. O cabra entende do bolero.
- FBC sinaliza uma participação maior do conselho no clube. Na era Mendonção, o conselho era praxe.
Claro, muito do que foi dito acima é uma aposta, mas estou, assim como vc, esperançoso de que tudo vire realidade.
dia 30/09 e 07/10 campanha todos com o manto sagrado.
Lembremos de nos reunirmos para lavarmos com sal grosso, desinfetante, mandar benzer, rezar, bater uns bombos etc etc. etc. no dia da saída do cheiro de enxofre.
Mendonção nunca administrou nada. Sempre foi apenas político – ao contrário de FBC, que é político e administrador.
Quanto ao LEF, ainda duvido que vá ficar quietinho no canto. Aliás, se eles estão quietinhos, é porque estão tramando. A quietude é apenas conveniência.
Essa reforma administrativa/financeira – começando com uma auditoria – nunca foi do interesse do LEF, que sempre preferiu manter o clube hibernando por que lhe era conveniente.
Obviamente, pela situação a que o Santa chegou, administrar e pensar o clube como todo não é exatamente a primeira opção deles.
Pode ser que eu esteja enganado, mas o LEF vai começar botar as manguinhas de fora – acredito pelo menos em tentativa – quando começar a movimentação no futebol, que sempre foi a área preferencial dessa “buona gente”, embora sejam igualmente incompetentes nela.
Se bem que um confronto talvez não fosse tão ruim assim, pois pode ajudar a desmascarar e isolar mais ainda esse povo, além de mantê-los bem visíveis para facilitar a vigilância.
Mais do que nunca, necessitamos de luz e transparência – coisas insuportáveis para as criaturas das trevas.
Defendo que as oposições, no conselho, devam ser duras com o LEF. Nada de contemporização. Luta implacável. Mas vejo muitos sinais de contemporização, muito faniquito de união, muita vontade de consenso. Tenho medo que se forme o MIT (Movimento do Indulto Tricolor) — o perdão dos tolinhos é a ante-sala do perdão dos canalhas.
E o LEF quer o futebol, sim. É o departamento estratégico do clube. É o mais obscuro e mais sujeito a maracutaias.
Enfim, a luta começa agora. Não será fácil.
O sol é o melhor desinfetante.
A previsão de Ducaldo já se concretiza (mais uma vez). Quem viu aquele programinha ontem à noite na TVU sabe do que falo. Neves, com apoio benevolente dos dois jornalistas daquele negócio, dissse que falaria com “Fernando (assim mesmo, para dar a entender que é íntimo de FBC) sobre o futebol, porque tem que haver um dirigente junto da comissão técnica, alguém experiente”. Um dos jornalistas (o mais moço, que trabalhou na Folha) repetiu o bordão que eles têm usado: “não conheço nenhum time que tenha dado certo aqui com futebol profissionalizado, tem que haver dirigente” E depois, esse mesmo jornalista: “não se pode deixar de lado o presidente da federação e negociar diretamente com a CBF, em que repeitar Carlos Alberto”. Escutei tudo rindo da apelação desses caras. Eles estão muito preocupados com o fim das mamatas, dos negócios, das folhas de pagamento, dos trocos com a venda de jorgadores. O LEF, devemos lembrar, não é composto apenas por dirigentes ou ex-dirigentes. Parte da imprensa também está nessa.
Umas das melhores coisas disso tudo é ter ignorado completamente o burronegro que preside a FPF. Fico Puto quando alguém defende esse sujeito em algum momento em que ele ajuda o Santa Cruz. O cara nos arromba a tempos e vez por outra nos vem com migalhas como se fosse o sujeito mais altruísta e benevolente do mundo.
A próxima revolução deve ser na Federação. Já a imprensa nem precisa mudar, basta pagar.
olha, algum de vocês podiam me explicar como funciona o internacional, essa democracia que vocês falam. vou dizer, não tenho opinião formulada sobre isto.
Paulo, você está corretíssimo. A imprensa está lotada de serviçais do LEF.
Um pequeno detalhe: muito se fala e se cuida dos membros mais notórios do LEF, mas é bom não esquecer a arraia miúda – funcionários “graduados” e antigos no clube que têm ligações estreitas com esse pessoal. São aqueles cujo salário não atrasa e não necessitam da campanha de cestas básicas.
Falta de documentos, registros e outras “tarefas” não foram nem serão executadas diretamente pelos notáveis e sim pelos “peões” de plantão. Seria bom arejar a base da pirâmide do LEF e cortar alguns tentáculos, ou pelo menos vigiar de perto.
Fabiano,
Concordo contigo. Aliás, sua frase “A próxima revolução deve ser na Federação” é perfeita. Tanto que Artur sugeriu que ela fosse para a seção Cobra Venenosa.
Saudações corais,
Dimas Lins
Sinceramente não vejo risco do LEF assumir ou ficar próximo ao Departamento de Futebol. Entendo que não houve consenso, pois só há um grupo à frente do clube, que é o de FBC.
No conselho, foi a forma encontrada para acomodações políticas. FBC nem de longe parece ingênuo e deve saber bem com que está lhe dando.
Minha grande preocupação será depois de sua gestão, pois, se ele não tiver interesse em fazer sucessor, poderemos viver num oásis por dois anos e depois ter que voltar ao deserto.
Saudações corais,
Dimas Lins
DUCALDO! FOSSE O PREMIADO DO POST!
concordo que devemos revolucionar a Federação. Com o presidente Caô fica difícil o Santa Cruz ser campeão pernambucano. Não pedimos privilégio, apenas igualdade de condições. Com a turma do apito puxando para a cachorra de peruca, não há time que ganhe campeonato desse jeito.
Maravilhoso texto, Artur. A gente precisa é disso: pé no chão. Agradecer pela sorte de ter alguém que se interesse pela administração do clube e que esse alguém tenha interesse pessoal em alavancar o Santa – além dos excelentes contatos.
Cara, se não for agora, já era.
Só resta uma dúvida: houve alguma alteração importante no estatuto do clube quanto à fiscalização e punição para maus dirigentes?