É de arrastão
- 14 de julho de 2008, às 15:01h
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Foto: Diogo Trimetal/Efeito: Dimas Lins

Antes de começar a Série C, pensava comigo: o Santa vai se classificar para a 2º divisão facilmente. Não há clubes em condições de assustar. Há dificuldades? Sem dúvida! Mas nada intransponível. Poderia, o caminho, ser facilitado? Claro! Tivemos bastante tempo para fazer um time, mas na última quarta ganhamos um jogo no qual houve quatro estréias! Ou seja, estamos montando o time em meio à competição. Mas não há de ser nada.
As conseqüências dessa campanha vitoriosa serão duas. Uma, a mais clara, o desafogo de sair da “terceirona”, o estancar do vexame; novo fôlego financeiro, etc. A outra, a repetição de algo recorrente nas últimas décadas: a despeito da desorganização administrativa, da incompetência, do amadorismo, o clube ganha título, consegue vitórias importantes e traz o perdão, por parte da torcida, de todos os erros cometidos pelos dirigentes (basta não esquecer a célebre frase do diminutivo, “Com três vitórias a torcida esquece isso tudo…”). Isto é, as vitórias em campo realimentam a continuidade do desastre gerencial.
Tomara essa minha cabeça cismada esteja errada quanto à segunda conseqüência! Podemos ser ainda muito maiores se esses que hoje comandam o clube voltem à condição de torcedores.
Mas a Série C começou. E trouxe espetáculos memoráveis para a história do Santa protagonizados pela torcida. A invasão a Campina Grande que provocou alvoroço na pequena cidade – um vendedor de cerveja, próximo ao estádio, me falou assim: “Trabalho aqui há vinte anos. Nunca vi uma torcida tão grande. Alguém pagou vocês para virem?”. Num jogo fraco tecnicamente, deixamos escapar a chance de pontuar. Porém esse fato ficou como um detalhe. O extraordinário foi a mobilização da massa, superar a torcida adversária em número na sua própria casa! Isso é para poucos, amizade. Pouquíssimos! Dia 09, outra festa. Não só a presença maciça, mas a gana, o grito continuado, a emoção que se espalha por quilômetros. Não há quem resista. Dentro de campo vencemos por 3 X 0. Fora a goleada foi muito maior.
Daí, à certeza de que passaremos pelo inferno da terceirona se juntou a convicção de que vai ser de arrastão. É a tração dessa multidão tricolor que vai nos tirar do atoleiro. Não que duvidasse do apoio da torcida, mas não me canso de me impressionar com ela. É força que se supera. Sempre! E faz rir dos institutos de pesquisa… Perdoai, senhor, eles não sabem…
Só não nos deixemos iludir, é o que espero. O Santa é grande, é enorme, mas carece de cuidado e de gente nova para tratar-lhe as feridas.
Mas para aqueles tantos que, nos últimos duríssimos meses, temeram pelo fim do clube, fica a constatação: quem possui uma legião de fanáticos como temos não perece nunca. Nossa torcida é lealdade gratuita. É matéria que não se acaba. Quando ouvia o coro ontem e olhava as arquibancadas, pensei:
“…o grito somado fica
a um palmo do infinito;
pelo eco desbragado
de uma voz que não se imita.
E que louco produto em festa
é esse que à razão contesta?”
Nota da redação:
Este artigo foi escrito antes do jogo do Santa Cruz contra o Potiguar. A derrota por 3 x 0 e a apatia do time mostram sua dependência da torcida coral. Quarta-feira tem mais. Tomara que nossa torcida consiga fazer esse time jogar bola.





Só levando o time no braço é que consiguiremos que nosso clube reaja.
Vamos Santa Cruz! Vamos se reeguer e já!
Leio e a garganta trava…….os textos aqui publicados nos envolvem e nos devolvem a calma, pois nos lembram que o nosso time está acima de qualquer coisa…….quando o Santa tomou o segundo gol do Potiguar tranquei a porta do quarto, aonde estava assistindo pelo velho Canal 11, e fiquei sem entender nada, não queria falar com ninguém, nem quero falar do terceiro. Havia tirado onda com alguns torcedores da coisa dizendo: Tô na terceira e o meu jogo é transmitido ao vivo pela tv.
Só hoje consegui falar sobre o assunto. Apesar de tudo sempre acredito no nosso time e ainda bem que posso dividir essas amarguras com vocês amigos tricolores. Como nunca desistimos, já estou me motivando e me preparando para o próximo jogo. Só não engoli ainda que não seremos o primeiro do grupo, pois era um desejo muito pequeno para o nosso grande Santa. Saudações.
O texto retrata o que é essa grande família Coral, porém a nota da redação reforça o qu já dizia há muito tempo:
temos que superar: campos ruins, elenco limitado, bandeirinhas locais, e acima de tudo temos que superar nosso maior adversário o presidetezinho perdedor.
Mas essa torcida levará o time no grito, na raça e no coração.
Só falta esse torcedor (será que é torcedor da Coisa?)dizer que os estádios da Paraiba são maiores que o Colosso do Arruda ! Será que o Amigão comporta mais de 45.000 espectadores ? Tenho minhas dúvidas !
Ah, só pode ser piada. Aquele campinho lá cabe quanto? 45.000? nem se todos tivessem abaixo do normal no cálculo do IMC.
Só pode ser um piadista mesmo.
Realmente Campina Grande é uma bela e pujante cidade. Entendo o sentimento do amigo paraibano quanto ao comentário. Mas acho que o Josias não quis menosprezar ninguém (às vezes sentimos isso também quando algum sulista faz um comentário sobre nordestino), pois ficamos com a sensação do velho preconceito. Porém aqui não temos preconceito com os amigos da Paraíba e essa terra maravilhosa. O termo pequena cidade está claro que foi num sentido carinhoso, ou seja, tranquila, pacata, hospitaleira. Sobre o comentário do vendedor, não foi sómente ele que se impressionou, foi o Brasil todo. É que realmente êle nunca viu na cidade, uma invasão tão grande de uma torcida de outro Estado.
Pernambuco e Paraíba são irmãos siameses. Bola pra frente.
Poeta,
Muito bom encontrá-lo novamente por aqui. As condições não são as melhores, mas nós, tricolores, quase nem sabemos mais o significado do termo “boa condição” mesmo…