Encontrei um amigo tricolor na saída do trabalho e ele veio feliz da vida comentar que o Torcedor Coral assumiu o primeiro lugar entre os blogues esportivos pernambucanos no ranking da Technorati, segundo o Acerto de Contas.

- Quer dizer que agora vocês têm mais acessos do que o Blog do Santinha?

- Er… Bem… Ainda não. Mas olha que os caras já estão ficando preocupados!

- Ah! E o que significa então esse ranking, hein?

Tive dificuldade em explicar de forma simples o seu significado. A melhor forma que encontrei foi essa.

- Camarada, o ranking da Technorati mede o cinismo! Somos agora o blog esportivo mais cínico de Pernambuco!

- Puxa!

É isso aí. Agora é só manter a liderança. E liderança se mantém trazendo mais cínicos para o blog.

Há tempos o Torcedor Coral tornou-se um blog nacional, pois espalhou correspondentes nas praças esportivas - e em outros locais - mais importantes do país, como a Praça de Casa Forte, a praia de Intermares, na Paraíba, e um sítio em Varginha, Minas Gerais. Aliás, a escolha de Varginha foi estratégica. Lá, pretendemos construir a nossa base para um contato imediato do terceiro grau com extraterrestres. A idéia é, no futuro, levar o nome do Santinha para todas as galáxias. Seremos os verdadeiros galácticos!

Mas, antes do universo, é preciso conquistar o mundo. Para entender melhor o processo de modernização que atravessa o Santa Cruz, era necessário fincar raízes no velho continente, pois lá certamente se encontram os clubes que tanto inspiram a diretoria coral.

E foi isso o que fizemos. O Torcedor Coral tornou-se um blog altamente internacional com a contratação do nosso correspondente Bosquímano, que passa a transmitir informações e opiniões controversas diretamente da Espanha.

O contrato de Bosquímano foi fechado semana passada e teve grande repercussão na imprensa espanhola, além de afetar a bolsa de valores de Intermares.

A negociação foi conturbada, pois o nosso correspondente exigia salário em Euro ao invés de Merreca, a moeda oficial do Torcedor Coral. Outro ponto polêmico foi a liberdade de imprensa. Bosquímano lutou pelo direito de defender o presidente do Santa Cruz, nem que fosse apenas de sacanagem. Democraticamente, concedemos a autorização, desde que o autor, em seus artigos, se referisse ao presidente do clube como cabeção. Finalmente, todos os impasses foram resolvidos com a chegada de seu procurador ao Brasil, que assinou o contrato sob o efeito de Rivotril com coca-cola.

Bosquímano, ou João Bosco Filho, é quase engenheiro mecânico, pois largou engenharia no quarto ano para fazer comunicação. Formado em jornalismo, partiu para Espanha no dia em que se confirmou a queda do Santa Cruz para a Série B, em 2006. Atualmente, Bosco faz um máster em sociologia, sobre democracia participativa. Pretende um dia criar um desenho institucional participativo no Santinha, já que seu tema de pesquisa sempre foi o futebol. Garante que futuramente escreverá sobre participação e futebol, tendo como exemplo o glorioso Santa Cruz, sob a cínica orientação de Artur Perrusi.

Com a chegada de mais um grande cara-de-pau, o Torcedor Coral se firma no mundo virtual como uma verdadeira usina de cinismo, para desespero dos tolinhos.

Ao amigo Bosquímano, bem-vindo e aquele abraço,

Dimas Lins

Bosquímano

Quando recebi o desinteressado e-mail de Dimas perguntando como ia a minha vida na Espanha, se estava tudo bem e tal, entendi de cara do que se tratava. Claro, Perrusi havia acabado de me avisar que um convite para colaborar com o Torcedor Coral estava no prelo. A verdade é que o troço foi mais rápido do que pensava. Nem 15 minutos depois do aviso, chegou o e-mail de Dimas.

O convite foi aceito, não sem antes negociarmos algumas questões. Tinha minhas exigências, entre as quais receber meu ordenado em euros, rotundamente negada; e a possibilidade de defender o diminutivo, prontamente aceita. Por amor a camisa e para que não me chamem de mercenário, aceitei as condições oferecidas e aqui estou sem saber muito bem o que escrever. Queria aprofundar o debate político do clube, mas tenho certo receio em fazê-lo sendo um observador distante e míope. Mas deixemos de enroladas e vamos ao que interessa.

Resolvi começar no Torcedor Coral aproveitando o eco do debate tolinhos/canalhas. Parafraseando Chico Buarque - que é tricolor, porém um tricolor muito mais feliz que a gente ultimamente - quero propor um texto “bem pra frente, dizendo realmente o que é que eu acho”.

Acho que a terceira divisão está aí e não podemos ficar nos separando mais em grupos políticos. Isso será o fim do Santa. O que precisamos é de união. A união faz mais que açúcar, companheiros. Essa união nos tornará capazes de dar o passo adiante. Estamos à beira do abismo! Necessitamos a união de tod@s, eu disse TOD@S, os tricolores, independente de posições políticas ou preferências clubísticas. 

O Patinho outro dia perguntou, em tom de desafio: houve algum presidente melhor que zé neves e romerito nos últimos 20 anos (pelo menos em questão de resultados)? Acho que não. O primeiro ganhou três títulos, trouxe Jacozinho e fincou a bandeira no centro do campo da coisa, aliás, esse apelido também é obra dele. O segundo, foi campeão depois de nove anos e nos levou à primeira divisão. Só não foi bi no ano seguinte, graças a uma armação ilimitada que culminou com o pênalti perdido do Lecheva. Se, neste mesmo ano, nos devolveu à segunda, não foi por sua culpa, foram os ecos da tal armação ilimitada que ainda soavam pelo Arruda. Agora, na pior crise, mesmo tendo sido achincalhados por uma torcida desmemoriada, querem voltar pra ajudar. Não podemos, portanto, desprezar a experiência dessas pessoas que tanto fizeram pelo Santinha, mesmo que não concordemos com eles. Isso é fazer política também.

Acho que Edinho, que dizem não ser tricolor de verdade, também não é o único culpado de todo o descalabro. Fez algumas besteiras, é fato, mas recebeu uma herança maldita da armação ilimitada. Tentou sim jogar com a torcida, abrir o clube à participação dos torcedores. Quem não lembra o “marreta na mão e o Santa Cruz no coração”? Além do mais, chamou a torcida a participar da campanha da Celpe, nós é que não fomos, sobretudo depois de umas três derrotas seguidas. A maior prova de amor de um tricolor de verdade não é beber a maravilhosa cerveja frevo. Tem que pagar, fazer cotinhas, jantares, almoços, bingos, rifas, vender até a mãe, se ela for da coisa. A maior prova de amor é meter a mão no bolso independente de quem esteja no comando.

Acho que Ferrer, Tininho ou Jomar, também não são vilões, nem tolinhos. Estão dando a cara pra bater, independente de concordarem, ou não, com a gestão. Acho que Sylvio Belém poderia muito bem estar jogando dominó lá na Pracinha do Diário, mas está ajudando. Esses são verdadeiros tricolores. Não estão preocupados com questões metafísicas, como presente e passado, futuro do presente ou futuro do passado, apenas ajudam o clube. Por isso, irmãos tricolores, a palavra de ordem agora é ajudar.

Por fim, acho que deveremos acabar de uma vez por todas com esse negativismo reinante. Pensamentos e palavras têm poder, energia. Chega de derrotismos, séries D, E ou F. Pensemos positivo, somos fortes, podemos ganhar. “Juntos podemos” é o lema da seleção espanhola nesta eurocopa e, com a força dessa união, estou seguro que eles passarão das quartas-de-final. Para acabar de verdade, chega dessa historinha de Santinha. Santinha é diminutivo. Proponho a proposta de Artur: a partir de agora seremos Santão. Já imagino os adversários tremendo mais que vara verde. Já imaginaram se o Maguila fosse Maguilão até onde ele poderia ter chegado?

Por isso, irmãos tricolores, todos juntos vamos seguir a corrente bem pra frente, positiva. Devemos repetir em voz alta todos os dias diante do espelho:

Somos fortes, somos invencíveis!

É verdade que estamos à beira do abismo, companheiros, mas apenas seguindo essa receita, seremos capazes de dar o passo à frente…