20 ago
Foto: Coralnet / Arte sobre foto: Dimas Lins

Pierre Lucena (Publicado originalmente no blog Acerto de Contas)
Depois de gestões desastrosas por aproximadamente 20 anos, eis que Edson Nogueira, o atual presidente do Santa Cruz, conseguiu praticamente destruir um clube de massa.
O resultado de domingo contra o “poderoso” Icasa praticamente rebaixou o Santa Cruz para a inédita “Série D”, que será o fundo do poço do futebol nacional. Se a Série C já era o inferno na terra, imagine a novata “Quarta Divisão”.
Algumas pessoas costumam dizer que o Santa Cruz será igual ao América do Rio, mas a trajetória do tricolor pernambucano não encontra semelhanças no futebol. Nenhum clube de massa chegou tão fundo no poço do futebol brasileiro.
A gestão Edinho é um completo desastre. Recebeu o clube sem nenhum documento do antecessor, e não deu queixa à Polícia por isso. Depois disso, montou um time horrível, que fez um papelão no Campeonato Estadual.
Aí aconteceu seu pior erro (se é que é possível encontrar um pior), que foi a contratação do treinador Mauro Fernandes, especialista em rebaixamentos. Apesar do protesto geral, manteve seu queridinho até o time ser rebaixado à Série C. O treinador foi tão covarde que não teve coragem de voltar à Recife no último jogo.
Em um lance bisonho, Edinho confessou na Rádio CBN que tentou corromper um juiz, através de um intermediário. Você pode ouvir a gravação aqui.
Jogou o nome do Santa Cruz na lama, e para tentar se salvar, inventou que agiu assim orientado pelo Ministério Público. Mentiu, já que esse não é o procedimento de investigação. Um dos promotores responsável pelo caso me falou que jamais orientariam a fazer isso.
Quando todos pensavam que não poderia ficar pior, eis que o “gênio” Edson Nogueira conseguiu inovar mais um vez.
Conseguiu montar o pior time da história dos times do Recife, e praticamente rebaixou o Santa Cruz à Série D. Só um milagre salva o tricolor da degola.
Vale salientar que Edson Nogueira não é o único a afundar o Santa Cruz. Os mesmos dirigentes que ajudaram o Santa Cruz ainda ficam circulando por lá, na tentativa de voltar, como se o clube fosse propriedade da família de alguém.
O Santa Cruz é praticamente um “ente clandestino”. Não possui conta bancária, não tem certidão negativa de nada.
Lógico que o clube não vai acabar por isso, mas os efeitos serão sentidos por 20 anos, se começar um trabalho novo, com novas pessoas, a partir de agora.
O futebol começou a se profissionalizar de verdade no Brasil na década de 90, quando entrou essa “geração” de dirigentes. Com isso começou a chegar muito dinheiro de TV, e o Santa Cruz foi escanteado. Ficou fora do Clube dos 13, e podemos perceber a diferença entre a estrutura do Sport e a do Santa Cruz. Até 1988, o tricolor era a referência de Pernambuco.
O que Edinho entregará para o sucessor? O que é o Santa Cruz hoje?
O tricolor nada mais é do que um amontoado de pessoas que torce não se sabe para que, já que não existe time. Além disso tem um estádio gigantesco aos pedaços, porque não tem manutenção. É um lugar com tudo para se fazer.
Mas Edinho ainda não completou o seu “legado”. Só vai parar quando levar o Santa Cruz para a “Série Z”.
Pierre Lucena é doutor em finanças e professor da UFPE e escreve regularmente artigos sobre política e economia no blog Acerto de Contas.
"A minha primeira paixão é o Santa Cruz, mas a minha primeira obrigação é com o Tribunal de Justiça."
Bartolomeu Bueno, em pronunciamento de renúncia ao cargo de presidente do Conselho Deliberativo, após consulta ao Conselho Nacional de Justiça - CNJ.



