15 ago
Amigos, confesso que ando cansado, sem muito saco pra escrever. Aliás, para escrever sobre futebol tem que ter alegria e, convenhamos, alegria tem sido artigo de luxo nas bandas do Arruda ultimamente. Fico aqui dando voltas na frente do computador, buscando alguma idéia e nada… estou na mais profunda seca! Outro dia, conversando com Dimas sobre a situação do mais querido, chegamos à conclusão de que do mato do Santinha não sai nem mato, quem dirá coelho.
Taí, achei o mote!
Essa semana, sobretudo no dia seguinte à derrota frente ao esquadrão do Icasa, se falou muito em refundação do Santa Cruz. Alguns comentários postados no Blog do Santinha, além de alguns artigos publicados pela imprensa pernambucana tocaram no assunto. Não sei se falavam no sentido figurado ou não. Mas não importa. Resolvi também entrar também nessa jogada e passar a defender a refundação como única forma de sobrevivência digna do Mais Querido. Digo sobrevivência digna, porque acredito que possamos reverter essa situação e conseguir a nossa tão sonhada manutenção na série C. Aliás, todo torcedor é um crédulo por natureza. Se eu mesmo fui fiscal do Sarney - fazia questão de ir ao supermercado com minha tabela na mão só para conferir o preço do iogurte de morango - imagina se não acredito que podemos ganhar do Icasa, Campinense e Salgueiro?
Mas vamos em frente.
Gostei muito do texto do Roberto Vieira, aí embaixo, mas tô cansado de perder quase sempre ou de comemorar empate heróico contra o campinense, com todo respeito que a equipe paraibana merece. “O amor cresce na derrota”, ele disse, mas eu digo que o amor também cansa da derrota de sempre. Quero preferir, nem que seja uma vez na vida, Pelé a Garrincha. O Brasil que deu certo frente ao Brasil que morreu pobre, porém amado. Ou, como diria Caetano, “queria querer gritar setecentas mil vezes como são lindos os burgueses”, melhor, quero ser Burguês! Quero ganhar título e dinheiro. Esqueçam a balela do meu último texto. Não quero me vangloriar de ter a torcida mais fiel. Podem me chamar de torcedor de resultados, pois quero resultados mesmo. Viva a lógica instrumental!
Mas deixando de devaneios e voltando ao tema principal, não acredito que possamos voltar a ser o que fomos. Acho que o Santa Cruz Futebol Clube é um doente terminal e duvido que o Dr. House* seja capaz de dar jeito. Claro, reconheço que o Santinha não vai morrer tão fácil. Hoje em dia a tecnologia é capaz de deixar um sujeito completamente morto viver por muitos anos, até que a família encha o saco e mande desligar os aparelhos. Ou não tenha mais dinheiro para manter o vegetal no hospital.
Pois bem, minha proposta é mandar desligar os aparelhos. Sou a favor da eutanásia. Defendo a morte digna. “Tem mais samba no encontro que na espera”, dizia o velho Chico com toda razão. É muito mais digno morrer do que ficar mendigando ajuda da FPF pra ganhar do Salgueiro. Portanto, sugiro literalmente que matemos o Santa Cruz Futebol Clube e que façamos um funeral com todas as honras que ele merece. No dia seguinte, porém, ressuscitaremos o Santinha! Ou como diria o Tarso Genro, refundaremos o Santinha.
Criaremos o Santa Cruz Futebol e Cultura, essa é minha sugestão de nome.
Este clube nasceria sem dívidas, com uma nova direção, e principalmente com um novo modelo de gestão, mais participativo e democrático. Transparente acima de tudo. Com milhares de sócios e milhões de torcedores. Este clube nasceria no dia 3 de fevereiro, no pátio de Santa Cruz, no Recife; seria tricolor, encarnado, branco e preto; seria um clube do povão e primaria pela formação de jogadores. Aí uma diferença, não formaria apenas um jogador de futebol, formaria um cidadão também. Para ser jogador de base neste novo time, o garoto teria que estudar, o clube daria alguma ajuda de custo para os que são arrimos de família, ou apenas ajudam em casa trabalhando. Seria uma espécie de Bolsa-escola tricolor. Além de estudar numa escola formal, a garotada também estudaria noutro tipo de escola. Ali eles aprenderiam a história de um antigo clube de futebol que existiu em Recife há muitos anos, história da sua terra, da terra de Santa Cruz - “a solução são os bascos”, profetizou o Perrusi há algum tempo. Aprenderiam essa história como se fosse a sua própria. Os jogadores deste clube teriam cultura, uma cultura em três cores.
Depois de alguns anos de sofrimento, calculo 5 ou 6, este clube já estaria disputando de igual pra igual o Pernambucano. Estaria na série b do brasileiro, disputando para subir, ou, quem sabe com algum golpe de sorte, já estaria na série A. Aí, outra diferença, o Santa Cruz Futebol e Cultura teria estrutura. Nome limpo na praça. Seria atrativo e não o contrário. Os jogadores iam querer jogar aqui e para tirar um prata-da-casa, só com um bom dinheiro.
Se for necessário, venderíamos o Arruda (ou o que sobrou dele) pra bancar esse novo projeto. Nesse mundo de crise, muitas vezes é preciso vender a própria casa e viver de aluguel. Tudo em nome da sobrevivência. Ou alguém acredita que a Arena Coral vai sair do papel? No começo, usaríamos os campos dos nossos rivais, fazer o quê? Já fizemos isso outras vezes e provavelmente voltaremos a fazer. Paralelamente, entraremos na briga pelo estádio da copa do mundo. Assim, em 2014, ano cabalístico, teremos um estádio moderno e digno da nossa grandeza.
Para quem pensa que isto é impossível, eu cito o exemplo da Fiorentina, que faliu, se acabou, nasceu de novo com outro nome, disputou as divisões inferiores do campeonato italiano e conseguiu voltar e, principalmente, se manter na séria A do Calccio. Este ano, voltou a disputar a Champions. Convenhamos, amigos, que são 5 ou 6 anos se compararmos com aos quase 30 que levamos sofrendo?
No mais é isso, companheiros, vamos confiantes na vitória de domingo. Eu acredito!
Nota do autor:
Metade deste texto foi plagiada de mim mesmo, do finado blog Futebol e outras histórias. A propósito, se um dia me encontrar numa situação vegetativa, desliguem os aparelhos, me dêem uma injeção de algum troço e me matem logo, fica aqui o registro para uma futura briga judicial.
Nota da redação:
*Dr. House é personagem de uma série americana de televisão. Infectologista e nefrologista, ele, na maioria dos casos, consegue chegar a diagnósticos precisos, salvando os pacientes que se encontram à beira da morte nos últimos instantes. House é dono de um mau humor lascado e costuma manter um comportamento anti-social com os colegas médicos e até mesmo com os pacientes. O caso do Santinha parece mais complicado do que os habituais pepinos que o médico costuma pegar. O clube sobrevive graças a aparelhos e há notícias de que a energia não foi paga. Em condições assim, talvez nem Jesus salve o Santa, quem dirá Dr. House.
"A minha primeira paixão é o Santa Cruz, mas a minha primeira obrigação é com o Tribunal de Justiça."
Bartolomeu Bueno, em pronunciamento de renúncia ao cargo de presidente do Conselho Deliberativo, após consulta ao Conselho Nacional de Justiça - CNJ.



