Manchete da fantástica reação tricolor

Roberto Vieira

O amor cresce na derrota.

Parece paradoxo, mas não é.

Puxa-saco é quem gosta da vitória.

Nunca vai a campo. Mas está sempre pronto para aparecer quando tem faixa.

Quando o time está por cima.

Namorar mulher bonita é fácil.

Descobrir a beleza da mulher amada, paixão e arte.

Há 36 anos o Santa Cruz já era tetracampeão.

Máquina de fazer gols com Givanildo, Luciano e Ramon.

O Terror do Brasil.

Mundão do Arruda lotado. O Corinthians mete 2 x 0. Em seguida 3 x 1.

Corinthians que era o Timão sem títulos.

Partida transmitida para todo o Brasil pela TVs Bandeirantes e Cultura.

Por um pedido especial da presidência da república à Embratel.

Alguns penetras xingaram o Santa. Foram descendo as escadarias do José do Rêgo Maciel.

Descrentes. Subitamente corintianos.

Eis que o Santa encontra forças do nada e reage.

Diminui. E Betinho encobre Ado empatando a peleja.

O estádio explode.

E os que partiam, voltam. Sorriso amarelo.

O amor cresce na derrota.

Descobrir a beleza na vitória é fácil.

Descobrir a beleza no clube derrotado, paixão e arte…

Nota da Redação:

Roberto Vieira é médico e tem o defeito de torcer pelo time dos Aflitos. Durante uma semana já foi torcedor do Santa Cruz. Nas horas vagas é pesquisador. Segundo dizem, ele é o pseudônimo de Juca Kfouri. Com paixão e arte, Roberto escreve sobre o primeiro jogo do Santa Cruz transmitido para a TV, em 05 de outubro de 1972.