Manequinha pagando a promessa no inverno glacial de Recife

Nunca gostei de dever, principalmente a santo. Amigos, depois do jogo de quarta-feira, eu estou com crédito no céu. Vamos lá, começando por partes.

Tudo começou como num dia normal que tem jogo do Santa. Acordei ansioso, passei o dia nervoso, acessando os blogs de 10 em 10 minutos, etc., etc., etc. Eu estava com tudo preparado: tira-gosto, cerveja e vontade de beber. Porém, já no fim da tarde, vem a notícia: A TVU não iria transmitir o jogo devido a “ordens $uperiores”. Eu, realmente quero me recusar a acreditar que essa “ordem $uperior” partiu de alguma emissora, mas é uma possibilidade real.

Como tudo já estava preparado, o jeito foi beber e ouvir pelo rádio mesmo. E, para esquecer a revolta de não ter o jogo transmitido, só mesmo uma cervejinha. Sentamos, eu e meu primo Ureia, no sofá de minha casa, precisamente às 18h12minh. Para quem não conhece Ureia ainda, vou apresentar: o cara não tem fígado. Ureia bebe meio litro de Vodca pura antes de decidir se vai ou não beber nesse dia. E eu, um pobre coitado gastroplastado, que não agüenta mais cachaça como antes, tendo que beber de testa com um infeliz desses. O que eu não faço pelo Santa!

Começa o jogo e a angústia de uma narração por rádio. Era impressionante, mas quando o locutor acelerava a voz num ataque do Campinense, eu virava o copo da minha frente. No desespero, aos 15 minutos do primeiro tempo, fiz uma promessa. Não designei qual o santo, fiz uma promessa genérica para o santo que tivesse de plantão. Prometi que se o Santa não perdesse, eu tomava um banho de piscina após o jogo. E tava um toró do cacete.

A agonia continuava. Jogador machucado. jogador expulso. Tava foda. Mas, ao final, um bom empate que, em minha opinião, nos deixa com muitas chances de classificação. Eu tava feliz e surpreso. Confesso que pelo que vi domingo contra o Salgueiro, esperava levar uma lapada. Só havia uma coisa a fazer, beber para comemorar e comentar sobre um jogo que nós não assistimos. E, em decisão unânime, eu e Ureia achamos que Juninho não deve retornar ao time. O cara cansa aos 15 minutos do segundo tempo, não marca e nem cria.

Depois da resenha pós-jogo, quando estou me preparando para relaxar e dormir, chega Ureia com a cobrança da promessa: “prometeu tem que cumprir, vai que se você não pagar, o santo fica puto e detona o Santa no domingo!”. Gelei e imediatamente dei razão às sábias e engroladas palavras de Ureia. Pego a toalha, outra cerveja e me dirijo para a piscina. Já era mais de meia noite. Depois de tomar mais algumas para criar coragem, eu mergulho. Acho que bati o recorde mundial de sobrevivência no frio. Quando olho para o lado, tava o infeliz do Ureia nadando bêbado. Ele queria parecer com Michael Phelps em Pequim, mas tava mais para um girino embriagado.

Bom, valeu pelo ponto fora de casa e pela experiência: nunca prometa nada na frente de Ureia, mesmo que seja de brincadeira. Como resultado da promessa, já dei uns quatro espirros durante a escrita desse texto.

No mais, domingo é o jogo da classificação. Arruda lotado e espero que o time corresponda ao nosso sacrifício. Até domingo, se essa gripe que peguei ontem deixar.

Atchin!