Caderno de Esportes do Diário de Pernambuco

Jogamos contra um time mais técnico e que teve chances de liquidar a partida. Mas, não o fez. Podemos não ter jogado bem, mas quem irá lembrar deste detalhe no futuro? O importante é que vencemos, e de uma forma dramática, uma partida que não será esquecida jamais!

Saí da faculdade direto para o Estádio José do Rego Maciel, junto com colegas alvi-rubros. Antes, porém, uma passada rápida em casa para vestir a minha camisa da Adidas, com o logotipo do Banorte, que tenho guardada em lugar especial do guarda-roupa.

Viemos de uma seqüência de decisões. O último jogo já foi de matar um tricolor do coração (Adeus, coisa!). Este, então, prometia ainda mais.

Consegui um lugar nas cadeiras, lotada. Fiquei ao lado do meu amigo Josias (Geó), rezando para que tudo desse certo. Tínhamos que vencer, não bastava nem o empate.

Edson Nogueira também estava lá. É bem verdade que ele não esperou o apito final, foi logo para os vestiários antes do jogo encerrar (veja aqui) penitenciando-se pelos erros que cometeu. Como gerente de futebol demonstrou que não confiava no elenco que ajudou a montar. Além dele, muitos tricolores também perderam a confiança assim que o Santa levou o gol; até mesmo o presidente. Não os recrimino, afinal, para o Santa Cruz tudo parece ser mais difícil. 

Mas, ao invés de lamentar os que foram embora, prefiro valorizar aqueles que ficaram e que acreditaram na esperança. Parabenizar a torcida que estava presente até o final, a Santamante, os Cobrões, a Força Jovem e a nova Inferno Coral!

Hoje, os que não estavam no Arruda, com certeza, estão arrependidos. Os que saíram antes do apito final, também. Perderam de ver uma epopéia do futebol. Um time limitado tecnicamente se superando com garra e confiança. Um preparador físico, que se passa por técnico, e que parece mais um motivador. Futebol é assim, sem explicação, mas com o coração na ponta da chuteira. Um erro do adversário, uma bola quicando e um chute certeiro definem uma partida; um campeonato!

O jogo de hoje comprovou o que eu já sabia: jamais abandonarei o Santa Cruz, seja qual for a adversidade! Ficarei, sempre, até o último minuto. Tenho certeza que sou apenas um dentre muitos que acreditaram na última bola do jogo. Que colocaram a força necessária no pé de Célio, e que guiaram a bola para o seu destino. Que acreditam que a superação do nosso time vem das arquibancadas.

Obrigado Marcelo, Araújo, Júnior Cordel, Reginaldo, Quinho, Mazo, Serginho, Fernando, Marcelinho, Washington, Marcelo, Gil e Célio por esta alegria de hoje, e de amanhã.

É o futebol nos ensinando que nunca devemos perder a esperança. Mesmo na torcida, somos capazes de chutar a bola e virar o jogo.

Recife, 28 de julho de 1993.

Nota da redação:

Homenagem do Torcedor Coral ao aniversário de 15 anos de um dos títulos estaduais mais emocionantes conquistados pelo Santa Cruz.