Uns falam que a imagem é tudo. Outros discordam, afirmando que o que importa mesmo é o conteúdo. A sabedoria popular sentencia que “não se julga um livro pela capa”. Quando tratamos de pessoas, isso sem dúvida é uma verdade incontestável. Mas mesmo as pessoas não podem ou não devem descuidar das suas imagens. Afinal, a sociedade de forma geral é movida por boas imagens. Imagens esquisitas ou distorcidas são logo escanteadas.

Mas e quando a imagem a ser analisada é a de um produto ou serviço? Alguém aí compra produtos com as embalagens amassadas, arranhadas ou contrata um serviço de uma empresa suja, desorganizada e sem estrutura? Duvido muito. Por isso, empresas costumam ter o maior cuidado com seus produtos e serviços. Precisam ter suas marcas “limpas” para que possam comercializá-las com todo seu potencial. Criar uma marca forte e gerenciá-la de forma profissional, como se fosse um produto. Segundo vários especialistas em Marketing, esse é um dos componentes fundamentais para atrair pessoas.

Se alguém não reparou, estou falando do Santa Cruz Futebol Clube. Mais que um time de futebol. Mais que um clube. Uma MARCA. Pensando e observando o Santa Cruz por essa ótica, percebemos mais uma vez como foi maltratada a marca tricolor nos últimos anos. Na década de 70, éramos conhecidos como o “Terror do Nordeste”, nosso manto apareceu na capa da revista de maior circulação do País, estávamos consolidando um nome, uma marca em todo país.

Não vou me ater aos desmandos que ocorreram nos anos posteriores. Todos nós já sabemos de cabo a rabo. Corrupção, truculência, incompetência, amadorismo, dentre outras características foram associadas a nossa marca. Ou seja, uma propaganda negativa assombrosa. Salários atrasados, jogadores espancados, um estádio caindo aos pedaços, um clube que não tem nem energia. Esse é nosso legado. Estou tocando nesse tema, pois estava assistindo a partida entre Curitiba x Palmeiras, pela TV Bandeirantes, quando o “ex-narrador em atividade” Luciano do Valle proferiu uma pérola ao vivo para todo Brasil:

“Esse Carlinhos Paraíba realmente é um excelente jogador. E tem uma história complicada. Saiu do Santa Cruz, onde passava fome e não recebia salários, mas decidiu mudar. Enquanto outros permanecem na mesma situação”.

Qualquer instituição séria, que tenha um mínimo de cuidado com a sua marca, já teria se pronunciado quanto a algo desse tipo.

 Mas nossa marca quase não existe mais, é apenas associada a coisas ruins. Mais uma, menos uma, tanto faz.

 Imagino que é isso que devem pensar os nossos dirigentes. Ou isso ou algo como “somos maiores do que isso”. Ledo engano. Nossa marca teria que ser nosso maior patrimônio. Teria que ser tratada com um cuidado ímpar. Nosso Departamento de Marketing (que sonho!) teria que trabalhar nosso precioso bem em grupos de interesse: Torcedores, Patrocinadores, Governos, Outros Clubes, Exterior… Atuando de uma forma específica e inteligente para cada grupo.

Nós temos uma marca que é só nossa! Algo único e especial. E deveriam tratá-la como se a vida do clube dependesse dela. E no fundo depende.