Flagrante: registro da negativa do juiz à liminar do diminutivo

O Santa terá, na próxima terça, mais uma chance de reencontrar o caminho correto, o caminho das vitórias e do fortalecimento do clube. Nesse dia será realizada a Assembléia Geral, cujo objetivo é o afastamento do Presidente do Executivo, o senhor Édson Nogueira. Há quem tenha medo do processo. Não é o meu caso, digo de antemão.

Os motivos elencados por aqueles que ainda não se mobilizaram plenamente para este embate são basicamente três:

1. A proximidade da terceira divisão.

Esta justificativa, analisada à luz da razão, me parece levar a um comportamento oposto: o engajamento apaixonado na destituição do diminutivo! Pois se há uma coisa que essa gestão já provou é que é absolutamente incompetente no futebol. Iniciar a série C com Nogueira e seus colaboradores é pedir para continuar sendo humilhados, é começar sabendo-nos perdedores.

2. A desconfiança com a oposição.

Esta justificativa é justa, sob certa medida. O afastamento do presidente não é o fim absoluto, é o meio para começarmos uma grande mobilização da torcida. É justa, pois em última instância repousa sobre uma verdade cristalina: “desconfie de quem tem poder”.  E é por isso que todo mandatário de poder deve ser controlado, fiscalizado. O afastamento de Nogueira não outorga carta branca da torcida para o seu atual vice. Não há salvadores da pátria! Mas, por outro lado, tal justificativa não pode ser um elixir paralisante. A desconfiança com os homens públicos não pode nos levar à omissão, à abstenção ou ao imobilismo. É na participação ativa, na luta com seus acertos e seus erros que crescemos. E o atual momento é dramático! É crítico. Nele, certo que não cabe inocências (acharmos, por exemplo, que estamos a galgar o paraíso), mas tampouco cabe covardia ou ambigüidades. O momento clama por mudança já!

3. A “certeza” da ineficácia do ato.

Esta é, definitivamente, a justificativa mais fraca para os céticos. Ora, como sabermos disso antecipadamente? Escrevo estas linhas, amigos, sob o influxo da grande notícia do dia: o Juiz da 29º Vara Civil, José Junior Florentino dos Santos Mendonça, negou liminar a Nogueira, mantendo a Assembléia Geral para o próximo dia 13. Ou seja, vencemos a primeira batalha nessa trincheira! Como entidade de direito privado, o que é um clube senão a vontade de seus sócios? Quando estes, por razões estatutárias, pugnam pelo afastamento de seu chefe executivo, o que há de errado? O terreno jurídico é incerto? É. Mas, repito, diante disso não nos mobilizaremos? Não nos faremos ouvir? Não lutaremos por nosso direito de contribuir para o soerguimento do Santa? Se respondermos um “não” a tais perguntas, e cruzarmos os braços por termos medo do “mundo do direito” e da “batalha de liminares”, corremos um sério risco de estabelecermos um pacto surdo com o caos que aí anda instalado!

É por isso que tenho a certeza de que o momento é de conclamação geral. É hora de juntarmos forças, unirmos energias. Com Édson e seus colaboradores afastados, seguir-se-á uma ampla mobilização da imensa nação coral.

Chega de depredação patrimonial, chega de cúmulo de incompetência no comando do futebol, chega de declarações ridículas!

Todos estão conscientes de que o céu não descerá sobre o Arruda. Também sabemos que não vamos ter nenhum messias à frente do clube. Mas a única chance de sacudir a gigantesca torcida, de por em nossas fileiras a metade do Recife que anda ressabiada de vestir a camisa das três cores, é afastando Nogueira. Hoje o Santa anda, literalmente, fechado para nós. Fechado e às escuras!

Na próxima terça, dia 13 de maio, será o 120º aniversário da abolição da escravatura. Quem sabe se para nós - time dos pretos, dos negros - tal data não se configurará como uma nova abolição e um novo alvorecer de liberdade? Quem será contra nós? Façamos a hora!

Todos à Sede Social no dia 13! Com esperança e dignidade; sem medo e sem inocência. Ao menos tentemos ser vitoriosos, amigos!

É isso: todos ao clube na terça dia 13!