5 mai
Vi que o presidentezinho gosta de frases de efeito. Usou uma delas no último dia 24, nunca vi poste mijar em cachorro. De fato, é o cachorro que mija no poste, sem que o pobre do poste possa fazer nada contra isso. Triste sina, a do poste. Como eu também gosto de frases de efeito, neste artigo resolvi usar e abusar delas mesmo sabendo de cor e salteado o restante do ditado que é título do artigo. Mas a esperança é a última que morre, e torço para não ser alvo de maus humores pequenos - se é que me entendem.
Não adiantou muita coisa, para mim, saber que o time melhorou na reta final do campeonato, no último suspiro. Pode ser que alguém tenha ficado feliz, e concordo que é melhor melhorar um pouco agora do que nunca, mas sou mesmo exigente. O time tem que melhorar muito para eu deixar de reclamar.
Atualmente, a única coisa que me conforta é pensar que a comédia é a tragédia depois que o tempo passou. Estou certa de que um dia, numa Quinta Santa da vida, o desespero que o torcedor coral sente hoje será tema de piada, algo assim como a gafe do João Pinto: o meu clube estava à beira do precipício, mas tomou a decisão correta: deu um passo à frente. Um pensamento muito mais simpático a nós, torcedores, do que esta sensação de que a direção do clube vem levando ao pé da letra o histriônico Zagalo, que afirmou que não precisamos da torcida quando estamos ganhando. A direção do Santa supera a idiotice de Zagalo ao maltratar os torcedores mesmo agora, nessa fase ruim. Difícil de explicar.
Falar mal do presidentezinho parece que virou o segundo esporte predileto da torcida, e é claro que pode ser que exista alguém no mundo que ache isso um exagero (o homem, afinal de contas, não é filho de chocadeira). Mas eu me defendo citando H.L. Mencken: pode ser pecado pensar mal dos outros. Mas raramente será engano. Sublinho o “raramente”.
Ninguém é obrigado a postular cargo algum, mas já que quis e que venceu, agora agüente. Agüente as críticas, as pressões, as esculhambações e tudo o mais que houver em conseqüência dos seus péssimos atos. Já que quis ser presidente, leve a missão a sério ou então pede pra sair. Concordo com Ambrose quando diz que o dicionário é o único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho (na época, ainda não existia BBB). Um pouco de humildade do presidentezinho também não faria mal, e nesse sentido Roberto Marinho deixou um sábio conselho: a humildade, se você não tem por virtude, precisa ter por esperteza. É por aí.
Também não vale colocar a culpa no azar (a sorte é a desculpa dos fracassados, ensina Pablo Neruda complementando a idéia de Virgílio de que a sorte ajuda os ousados).
É possível que o presidentezinho, do alto de sua estupidez, não saiba por que a maioria dos torcedores o critica tanto. Ele não entende que, para nós, futebol não é uma questão de vida ou morte. É muito mais que isso (Bill Shankley). Quando se leva um clube ao fundo do poço (lembrei de outra: no Brasil, o fundo do poço é apenas uma etapa - Veríssimo), é preciso saber que receberá críticas e cobranças, pelo menos tão intensas quanto o buraco que se cavou. É claro que os torcedores sabem que ninguém ganha todo o tempo (Cacá Diegues: a história tem, de vez em quando, uns ataques epilépticos), mas é ruim de aceitar que LOGO O SEU TIME perca o tempo todo.
Se é verdade que cada um de nós tem aspectos de ladrão, de sacerdote e de samaritano (Mark Baker), é compreensível que exijamos dos nossos dirigentes pelo menos uma ordem de intensidade de cada um desses elementos. No caso, que os últimos sejam os primeiros.
Lendo Voltaire aprendi que é perigoso ter razão em assuntos sobre os quais as autoridades estabelecidas estão erradas, e, diante disso, se alguma autoridade se sentiu ofendida com algum trecho deste artigo, eu falsamente peço desculpas e aviso que quase nada do que eu disse aqui é pessoal (nem mesmo autoral). Numa situação dessas, gosto de citar uma das línguas mais ferinas do Brasil, Paulo Francis: não levo ninguém a sério o bastante para odiá-lo, e também argumento que nenhum homem está isento de dizer asneiras. O problema é quando essas asneiras são ditas a sério (Montaigne).
Tudo o que eu quero com essa colagem de idéias dos outros, é evitar que se cumpra a sentença de Ziraldo, de que depois da impunidade sempre vem a bonança. Deixo os torcedores corais com uma mensagem final: o que o mundo precisa é de mais gênios humildes. Infelizmente, hoje restam poucos de nós (Oscar Levant), e despeço-me à moda de Denilson: F, O, I: FUI!
Nota da redação:
Em decorrência da atualização do Wordpress, o gerenciador de conteúdo do blog, e da atualização do plugin do anti-spam, houve um aumento no quantitativo de comentários de nossos leitores que caíram na moderação indevidamente.
O anti-spam representa um controle indispensável para propagandas indesejadas, por isso, não posso prescindir do seu uso.
Até o seu ajuste natural, tentarei, dentro das minhas limitações, liberar os comentários presos à moderação o mais rápido possível.
Dimas Lins
Editor-mor e faxineiro do Torcedor Coral
"A forma de compor os nomes antes do projeto e sem o amplo conhecimento de todos nós é, no mínimo, um começo com métodos não muito diferente dos atuais, e os quais não concordamos."
Adriano Lucena, sobre a chapa da oposição, na seção de comentários do artigo Política, fúria, amor e ódio.



