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Continuo a minha série de artigos, observando o que acontece mundo afora no planeta bola e tentando aprender e enxergar como as idéias e atitudes poderiam se aplicar ao nosso Santa Cruz. Posso estar perdendo meu tempo, já que os que estão no poder não costumam aceitar sugestões de meros torcedores. A maioria deles se acha auto-suficiente no quesito administração do futebol. Deve ser por isso que chegamos ao estado atual…

Nessa série de Artigos, já tive a oportunidade de pegar um exemplo da Espanha e outro da França. Quem tiver interesse, basta clicar nos links contidos neste parágrafo e ler.

Dessa vez, o exemplo a ser observado é o do outrora poderoso Ajax. É, Outrora. O Time vem acumulando fracassos há dez anos. Não vence o campeonato holandês há quatro. Fora os vexames que tem dado nas copas européias. Alguma atitude precisava ser tomada. E eles não ficaram esperando aparecer um salvador da pátria.

Foi convocado um comitê, composto por nove pessoas (todas com credibilidade, competência e conhecimento do clube) que ficou responsável por estudar o funcionamento interno do Ajax por 3 meses, avaliando documentos e entrevistando pessoas ligadas ao clube. Esse trabalho gerou um estudo com avaliações e recomendações, que mostraram que a estrutura do Ajax estava com problemas, e isso se refletia nos resultados dentro de campo. O Relatório apontou falhas no organograma e sugeriu a necessidade de uma separação mais clara entre a direção do clube e o comando do futebol. A estrutura recomendada foi de ter um “Homem do Futebol” como diretor seguindo plenamente a linha de raciocínio do técnico escolhido. Trabalhando juntos.

O Estudo reconheceu a já famosa e exaltada qualidade nos trabalhos de base do Ajax na revelação de novos talentos e sugere que a estrutura seja mantida. Porém, faz uma observação. Considerou alguns técnicos da base incompetentes. Não adianta ter jovens promissores se não há quem os façam progredir e evoluir. É uma barreira ao invés de uma ajuda.

O Relatório alerta para o fato de jogadores medianos, vindos de outros clubes, tirarem espaço das revelações do Ajax. E fez uma observação que eu transcrevo literalmente aqui: “A maioria dos jogadores do elenco profissional tem de ter passado pelas categorias de base. O Ajax só deveria comprar jogadores que sejam jovens e promissores ou que tenham qualidade a ponto de elevar o nível do time”.

O Relatório também cobra do Ájax uma postura mais responsável no relacionamento com a torcida, considerada parte fundamental (grifo meu) para o funcionamento da engrenagem. “Os torcedores merecem uma comunicação clara. Sim é sim, não é não, e as promessas devem ser cumpridas - ou então que não sejam feitas”.

Isso foi feito no Ajax. Um clube com um passado glorioso, mas que passa um momento de crise. A questão monetária não é um problema para eles, tanto que nem foi mencionada. O que é preciso, é uma mudança de atitude. Uma nova postura. Uma organização visando resultados práticos. Melhoria nos processos e respeito à torcida. Valorização das revelações da casa. Para isso não precisa dinheiro. Basta vontade.