26 abr

Mea máxima culpa.
Tenho uma confissão a fazer. Vocês já devem ter notado os recentes lapsos de tempo entre uma publicação e outra no Torcedor Coral. Mesmo depois de passado tanto tempo da ação causal, há uma explicação plausível. E embora não pareça, garanto que ela é verossímil.
Desde o momento em que o time coral teve a sua queda confirmada para a Série C do Campeonato Brasileiro de Futebol, ficou mais difícil escrever alguma coisa sobre o Santa Cruz. Infelizmente, este foi um marco perverso resultante desta má administração. Respirar nosso clube vinte e quatro horas por dia tornou-se fatal, por causa dos ares poluídos que vem das bandas do Arruda. Com tanta fumaça no céu tricolor, qualquer possibilidade de inspiração morria prematuramente por asfixia. E convenhamos, não há nada menos estimulante do que falar sempre dos mesmos problemas.
Em dias assim tão amargos, caminhos diferentes se apresentaram para cada um dos integrantes do Torcedor Coral.
Alguns entraram em colapso nervoso e foram internados às pressas em diversas clínicas de recuperação espalhadas entre Recife e João Pessoa. E, por causa dos eletrochoques, muitos não conseguiram escrever um linha sequer durante todo esse tempo.
Outros mergulharam numa depressão profunda e recorreram a ansiolíticos poderosíssimos. Rivotril com coca-cola, mesmo depois da fase aguda, passou a ser muito apreciado por essa galera.
E mais outros de nós, como válvula de escape, resolveram se engajar em movimentos políticos ou ambientais. Parte foi mostrar ao mundo a necessidade de proteger as tartarugas de Intermares, enquanto dois ou três abraçaram a luta pela independência do Tibete, pois consideraram mais fácil libertar o país do Dalai do domínio chinês do que tirar o Mais Querido da lama.
Mas torcer é preciso e escrever também é preciso, mesmo com o céu esfumaçado. E a necessidade é ainda maior quando paira no céu cinzento nuvens carregadas de intenções para afastar o presidente. Mas o mais estranho de tudo é o silêncio mórbido sobre a questão, mesmo com chuvas tão intensas. Talvez seja a calmaria que antecede à tempestade. Mas não há calmaria, já que este inverno glacial não passa nunca. E se ninguém mais fala nisso, então falaremos nós. Mas não agora que a hora é de acertar de contas.
Era preciso sacudir toda a equipe do blog e tentar reencontrar a inspiração perdida.
Para tanto, realizamos o 1º Encontro dos Cronistas do Torcedor Coral. O congresso tricolor, que aconteceu no dia 12 de abril no Mercado da Boa Vista, foi regado a muita cerveja, cachaça mineira - trazida pela nossa querida Ana Cláudia - e comida de boteco.
Na ocasião, decidimos muitas coisas. Entre elas, a freqüência adequada para publicação de textos neste espaço. E anuncio que todos os cronistas, apesar do rigoroso inverno, estão voltando à ativa em busca da velha forma.
Alguém poderia perguntar se o encontro foi realizado no dia 12 de abril, por que então o blog continuou desatualizado por tanto tempo. Eu respondo.
Como editor, fiquei responsável pelo pontapé inicial. Só que, desde a nossa decisão coletiva, eu não tive tempo disponível para publicar o primeiro texto desta nova fase do Torcedor Coral. É que estava em dívida com Samarone Lima e tentava finalizar a completa reformulação do Estuário, seu blog pessoal de crônicas. O novo Estuário foi concluído e entrou no ar na última quinta-feira. Mesmo assim, passei o dia de ontem envolvido em assuntos pessoais inadiáveis. Por isso, escrevo agora enquanto adentra a madrugada.
Mas finalmente estou livre e pronto para tornar a discutir as coisas do Santa Cruz. E prometo - utilizando as palavras de Roberto - que daqui pra frente tudo vai ser diferente. E assinam comigo todos os integrantes do Torcedor Coral.
Já era mesmo hora de alguém aqui abrir a boca novamente.
"A minha primeira paixão é o Santa Cruz, mas a minha primeira obrigação é com o Tribunal de Justiça."
Bartolomeu Bueno, em pronunciamento de renúncia ao cargo de presidente do Conselho Deliberativo, após consulta ao Conselho Nacional de Justiça - CNJ.



