multidao.jpg

Get the Flash Player to see the wordTube Media Player.

Xote dos poetas (Zé Ramalho e Capinam)

Fui dormir ontem à noite ouvindo Xote dos Poetas, de Zé Ramalho e Capinam, uma canção maravilhosa que fala sobre liberdade. Talvez por isso, enquanto dormia, tenha misturado a música com o Mais Querido e acabei sonhando com o renascimento do Santa Cruz. E embora eu não tenha a precisão de todos os eventos que ocorreram em meu sonho, tenho uma boa lembrança do que aconteceu.

Em plena tarde, eu estava ao lado do canal do Arruda, pintando num imenso muro, a palavra liberdade. Buscava, em meu protesto, proclamar a independência do clube contra todos aqueles que contribuíram para o seu afundamento. Com a palavra liberdade, queria devolver o clube ao seu verdadeiro dono, o torcedor coral.

E veio gente de todo canto, tricolores de todo o mundo, escrevendo por toda parte a palavra liberdade.

Artur, no meio da multidão, conclamava a todos para participar da verdadeira revolução coral. Bradava que aquela ocorrida no final de 2006 havia apenas parido um rato.

Maneca, junto com a Sanfona Coral, cantava o hino do clube feito por seu avô, passado de pai para filho e de tricolor para tricolor:

Uma voz proclama e canta
É a voz das multidões
Santa Cruz, querido Santa!
Campeão dos campeões.

Léo trazia embaixo do braço dezenas de propostas e sugestões de melhorias de baixo custo, mas com efeitos grandiosos para o clube. Dizia que esta era a verdadeira revolução.

O poeta Josias exigia que, tal qual a Fênix, o Santa Cruz renascesse das cinzas. E gritava aos quatro ventos que quem sabe faz a hora não espera acontecer.

Cláudia pedia igualdade, fraternidade e liberdade. Dizia que no futebol não deveria haver distinção entre homens e mulheres e, principalmente, entre pretos, brancos e vermelhos.

Paulo Aguiar insistia em romper com o passado e ter seu clube do coração administrado por alguém de sua geração, enquanto Magela, Tiburtius e Martorano provavam que o planejamento estratégico tinha realmente sido feito e era exeqüível.

Coronel Peçonha não fugia à luta e repetia para o povo tricolor que o Santa Cruz era a sua pátria, na mesma hora em que Samarone e Naná chegavam na kombi coral trazendo toda a confraria do poço.

Cabia a Inácio elaborar o manifesto que pedia um novo Santa Cruz e a Anizio, com a ajuda de Cláudio Machado, espalhá-lo por toda a internet.

Ao longe, Gerrá regia com sua zabumba os pulos maravilhosos dos cururus da Inferno Coral, que apoiava mais do que nunca as mudanças de ares no Arruda.

Lá pela noite, um mar de gente vestido de preto iluminava a cidade com milhões de velas acesas e se dirigia ao Conselho Deliberativo do clube. No fim de tudo, alguém subiria à tribuna e pediria aos conselheiros, com a voz embargada: “liberta meu clube, antes que seja tarde!”.

Quando acordei, fiquei imaginando se tudo isso, afinal, não seria possível, pois só assim teremos nosso clube de volta.