22 mar

Editorial
Paulo Aguiar manda um texto. É um texto político - um apelo, digamos assim. Não é necessariamente a opinião do blog, nem mesmo dos seus cronistas, mas seguramente Paulo é um dos nossos, fazendo parte desse campo tricolor, democrático e participativo que tanto faz falta na direção do Mais Querido. É um texto que sinaliza uma mudança no ambiente. Como o futebol vem se quebrando ou já se quebrou, como o diminutivo insiste em implicar com o óbvio e a honra, restou-nos a política e a mobilização dos tricolores. Pois saibam todos que tricolor engajado é aquele que discute política do e faz política no Santinha. Porque tricolor engajado é aquele que descobriu um fato importante naquele dezembro de 2006 (afinal, de tudo ficou um pouco): que podemos colocar e tirar da direção de nosso clube, através do voto democrático e da mobilização consciente e pacífica, quem quisermos, ora bolas!
Torcedor Coral
Paulo Aguiar do Monte
Dia 1 de dezembro eu estava no Arruda. Cheguei às 14 horas e fiquei até as 23 hr. Votei na chapa Credibilidade e Competência. Votei contra Alberto Lisboa, Romerito e Zé Neves.
Dia 9 de dezembro, ratifiquei o meu voto. Elegi a chapa imposta pelo Ninho da Cobra: Édson Nogueira, presidente, Fred Arruda, vice-presidente, e Alexandre Férrer, presidente do conselho.
Hoje, só restam Édson Nogueira e Alexandre Férrer.
Fred Arruda se licenciou do cargo de vice-presidente. Licenciou-se do cargo que eu ajudei a lhe conceder. Licenciou-se em um momento, no mínimo, inoportuno (pouco antes do Santa Cruz cair para a terceira divisão). Avisou a poucos amigos e, possivelmente, ao grupo Ninho da Cobra. Hoje eu não tenho mais ninguém que me represente no clube que eu amo.
Durante boa parte da sua gestão, Fred Arruda foi fiel defensor de Edinho. Um vice atuante e coerente - às vezes, até demasiadamente.
Fred sempre tratou com respeito os ex-presidentes Zé Neves e Romerito. Com Edinho, idem. Em conversas informais, ele afirmava, categoricamente, que ele (Edinho) era o único capaz, no momento, de assumir a função de administrar o Santa Cruz.
Para Fred Arruda, Edinho era a bola da vez.
Mas, Fred Arruda se enganou. Eu também.
Fred hoje está fora do Arruda. Mas, muitos querem a sua volta, sendo que para outra função e, desta vez, sem licença. Recentemente, em programas de rádio e TV, o ex-presidente Romerito Jatobá declarou que Fred Arruda deveria ser o candidato imediato (a uma possível renúncia) do presidente Édson Nogueira por ser um nome que agrega. Logo Romerito, que foi posto para fora do clube pela vontade dos sócios. Enfim, até ele enxergou, um pouco tarde é verdade, mas enxergou.
Sem dúvida, eu também considero Fred Arruda um homem agregador. Além disso, ele representa a mudança de certos paradigmas enraizados no Santa Cruz.
Fred Arruda é o vice-presidente eleito. Um cargo que, por si só, legitima a qualquer um a condição de presidente do Santa Cruz. Penso que ser vice-presidente é uma condição natural a ser presidente, já determinado pelo próprio estatuto em eventuais circunstâncias. Foi assim com Zé Neves e com o próprio Édson Nogueira.
Hoje não quero mais ser representado por Ninho da Cobra, por Fernando Veloso, Tonico Pereira, Mizael Wanderley e Cia; também cansei de ouvir falar em Rodolfo Aguiar e José Nivaldo de Castro (os ¨braços¨ direito de Edinho) ou nos eternos pré-candidatos Silvio Ferreira e Alberto Lisboa; isso sem falar em Romerito ou Zé Neves. Hoje eu quero ser representado por uma pessoa da minha geração. Que consiga por em prática novos conceitos sobre gerenciamento de um clube. Que seja capaz de ouvir os conselhos dos mais experientes, sabendo discernir entre sua aplicabilidade no passado e no presente. Mas, também, que seja humilde em reconhecer que as novas idéias não são tão sonhadoras assim e podem ser plenamente executadas.
Posso até estar enganado, como já estive recentemente, mas prefiro a tentativa da mudança ao conformismo da continuidade.
Não é cedo para se discutir a política do clube, pelo contrário.
Durante mais de vinte anos, o nome do candidato a presidente era decido por um grupo restrito. Eleição com um só candidato. Quando, nos últimos anos, começou-se a se discutir política no clube, a minha inexperiência, e a da torcida também, falou mais alto. O exemplo maior foi verificado na última eleição onde não se discutiu o nome do candidato, mas sim, os nomes que não se queria. Quinze meses depois o Santa Cruz continua pagando caro por isso, Édson Nogueira foi eleito presidente. Sua incapacidade administrativa traiu a confiança nele depositada (seria ele um judas?).
Hoje, Fred Arruda, você é a bola da vez. Talvez seu nome não seja o ideal, mas repetindo o que você me disse um dia… no momento, ele é o único capaz de assumir e mudar a forma de pensar o Santa Cruz… Sendo que este ¨ele¨, dessa vez, é ¨você¨!
Já é hora de começar as alianças (muito cuidado com elas); elas podem definir os seus amigos… prefira sempre a sua consciência! Já é hora, não de se licenciar, mas de deixar de ser vice ou um colaborador.
As críticas surgirão; tentarão lhe desqualificar. O peso e a responsabilidade é imensa. Mas, hoje, seu nome é quase um consenso, não de um grupo ou de poucos amigos, mas daqueles que querem uma mudança de paradigma, um novo rumo.
Sem renúncias ou licenças.
"A minha primeira paixão é o Santa Cruz, mas a minha primeira obrigação é com o Tribunal de Justiça."
Bartolomeu Bueno, em pronunciamento de renúncia ao cargo de presidente do Conselho Deliberativo, após consulta ao Conselho Nacional de Justiça - CNJ.



