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Amigos do Blog,

Quando elegemos o diminutivo como presidente, o fizemos porque havia um consenso geral que a antiga diretoria (que era acusada de afundar o clube) deveria urgentemente ser afastada. Além disso, era um consenso que o diminutivo sempre foi um bom profissional por onde passou, inclusive no próprio Santa Cruz.

Pois bem, no primeiro cargo majoritário que ele ocupou, só decepção. Autoritarismo, centralização, informações escusas e obscuras, enfim, tudo que era criticado por ele mesmo. Outra coisa importante a se destacar: ao ser eleito, lembro de um discurso do nosso presidente que dizia assim “a torcida pode me cobrar pois, vou cobrar da torcida.” Fizemos nossa parte, fomos a terceira mais presente nos estádios nas 3 divisões do futebol, mas, e cadê sua parte?

Amigos, mas tudo isso todos já sabiam demais e escrever sobre isso virou uma atitude inútil e desnecessária. O que eu queria realmente destacar é até que ponto um ser humano agüenta ser tão criticado sem demonstrar vergonha. Vou traçar um paralelo que acho que se encaixa bem na nossa situação, quero falar de Bebeto de Freitas, ex-presidente do Botafogo. Profissional gabaritado nacionalmente, técnico de seleção nacional de vôlei, gerente de empresas multinacionais, Bebeto de Freitas topou um desafio inédito em sua carreira: aceitou ser presidente de um clube falido. Até aí, guardando as proporções de fama, dinheiro e competência entre o diminutivo e Bebeto de Freitas, as situações são iguais.

Bebeto foi eleito no final de 2002, quando a equipe foi rebaixada à segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Durante a sua gestão, o Botafogo voltou à elite do futebol nacional, sendo vice-campeão da série B, foi campeão da Taça Guanabara de 2006, do Estadual do mesmo ano e da Taça Rio de 2007. Também conseguiu o estádio olímpico João Havelange, o Engenhão, pelos próximos 20 anos. O time se classificou nos últimos três anos para a Copa Sul-Americana.

Nosso presidente em um ano e meio, rebaixou a equipe para série C, ficou em sétimo num campeonato de nível técnico sofrível como o pernambucano ano passado e esse ano estou francamente rezando para conseguir permanecer na série A do pernambucano.

E, sabem outra diferença fundamental entre Edinho e Bebeto de Freitas? Por muito menos, mas muito menos mesmo, Bebeto renunciou em público domingo após o jogo contra o Flamengo, decisão da Taça Guanabara, jogo que visivelmente o Botafogo foi prejudicado pelo juiz. Olhem o que Bebeto falou durante sua entrevista: “Estou aqui há seis anos e a gente cansa. Hoje é meu último dia como presidente do Botafogo. O clube estava despedaçado, estamos trabalhando, reerguemos o clube, mas é difícil. Aqui no Rio só impera quem não quer que o futebol cresça. É fácil dizer que o jogador do Botafogo é “quase”, que o jogador do Botafogo perde a cabeça. Eu já dei muito para o Botafogo e agora é preciso que entre alguém aqui. Agradeço a torcida, mas não dá mais. Obrigado”.

Muitos jogadores após esse discurso estavam chorando durante a entrevista. E no nosso Santa, existe alguém que chore pela nossa camisa? Existe alguém que chore a renuncia de um presidente? Existe vergonha nessa diretoria para renunciar quando seria essa a única atitude cabível e digna de quem não usa saias?

Em grande abraço, amigos, espero que um dia algo semelhante a isso que ocorreu no Botafogo possa ocorrer conosco também. Essas palavras de Bebeto de Freitas foram retiradas do portal da globo.com.