1 mar

Dizem que o bom de se chegar ao fundo do poço é que não há mais como cair, só é possível ir para cima ou estancar no buraco. Em 2007, essa foi a grande ilusão que sustentou a torcida tricolor, uma das 15 maiores torcidas do país que idolatra o futebol.
Infelizmente, ao final do ano descobrimos que nosso time descobriu uma brechinha no buraco e cavou, cavou, até que todos - jogadores e torcedores - pudessem cair um pouco mais.
Era verdade, nós tínhamos chegado ao fundo do poço em 2007, vendo nossos principais rivais na Série A do Campeonato Brasileiro, posição que era nossa em 2006. Agüentar as piadas e as transmissões invadindo porta a dentro nossa casa foi de lascar, mas acreditávamos ser algo passageiro. “Ano que vem eles vão ver”, dizíamos com uma esperança pouco convicta, se conseguíssemos olhar com racionalidade o mau desempenho do time, a evidente falta de garra dos jogadores e a cartolagem indigna de qualquer comentário decente.
E agora estamos onde estamos. Queremos pelo menos acreditar que dessa vez o ditado será infalível. Pelo menos isso. A situação está péssima. No entanto, não é a primeira vez que o Santinha dá uma de faquir. O jejum da década de 90, por exemplo, comprova isso. Nós, torcedores, temos duas opções: sentar e chorar ou brigar.
Creio que não precisamos de desespero agora, e sim de uma atuação contínua e planejada para sanar e fortalecer o Clube. A começar pela diretoria. Todos os torcedores do Santa que conheço estão pedindo a cabeça do atual presidente: que ela nos seja entregue, então. Se não em nome da democracia (governo de e para o povo), ao menos em honra à história de luta que começou com o amor de 11 meninos no Pátio de São Pedro, nos idos de 1914.
Um time pode sobreviver sem presidente, mas não sem torcida. Ainda mais quando se trata da 15ª maior torcida brasileira.
Com uma direção séria e comprometida com o Clube, fica mais fácil administrar os recursos que, mesmo parcos, servirão para contratar jogadores que tenham garra e realmente estejam a fim de defender a camisa. Aos peladeiros descomprometidos (e não digo que são todos na equipe atual), “a saída é a serventia da casa”.
Os escavadores de poços que procurem a sua turma. A gente quer mais é levantar, sacodir a poeira e dar a volta por cima, como no samba.
"A minha primeira paixão é o Santa Cruz, mas a minha primeira obrigação é com o Tribunal de Justiça."
Bartolomeu Bueno, em pronunciamento de renúncia ao cargo de presidente do Conselho Deliberativo, após consulta ao Conselho Nacional de Justiça - CNJ.



