Torcedor Coral | 2008 fevereiro

Torcedor Coral

Arquivo para 28 de fevereiro de 2008

O rei dos perdedores

fracasso-11.jpg

Publicação simultânea com o Blog do Santinha 

Sempre que possível cultivo o hábito de ouvir a rádio CBN para me manter informado sobre os assuntos do cotidiano. E nessa linha, gosto muito de ouvir as opiniões dos colunistas da emissora, embora tente separar as análises mais sérias das retóricas de alguns jornalistas. Dentre os colunistas, tenho uma predileção pelos comentários de Max Gehringer sobre o mundo corporativo.

Segundo o Wikipédia, Max gehringer é administrador de empresas e escritor, autor de diversos livros sobre gestão empresarial e foi considerado um dos trinta executivos mais cobiçados do mercado em janeiro de 1999, de acordo com uma pesquisa realizada pela Gazeta Mercantil.

No dia 20 de fevereiro deste ano, ouvi uma análise do colunista que parecia ter sido feita sob encomenda para o Santa Cruz. Na coluna intitulada de Em terra de perdedores quem empata se sente rei (ouça o comentário do autor no player):

Get the Flash Player to see the wordTube Media Player.

Gehringer expõe, ponto a ponto, os sinais dados por empresas que estão à beira do precipício e, muitas vezes, nem se dão conta. Aqui vão os sinais:

  1. Tudo tem desculpa (se um projeto não dá certo ou um resultado não é atingido a culpa é sempre dos outros);
  2. Tudo é desproprorcional (a punição é desproporcional ao erro e a comemoração é desproporcional ao resultado);
  3. Fala-se muito em novos projetos (Centro de Treinamento, Arena Coral, Habbib’s, etc), mas poucos projetos são de fato implantados;
  4. Novas idéias são incentivadas e aplaudidas (Planejamento Estratégico, por exemplo), mas são rapidamente engavetadas ou esquecidas;
  5. Fale-se muito em futuro, mas as boas histórias são sempre as mesmas e de um passado já distante;
  6. Os objetivos são muito agressivos, mas a agressividade fica só no papel (Arena Coral).

Ouvindo o comentário, é fácil perceber que o atual presidente do Santa Cruz certamente é o maior exemplo de perdedor que já passou pelas Repúblicas Independentes do Arruda e que, no ritmo que as coisas vão, o fim é inevitável. Urge, portanto, e sem demora, o afastamento imediato do Sr. Édson Nogueira, seja pela renúncia ou por decisão do conselho deliberativo.

E já passou da hora do conselho deixar a inércia e inoperância de lado e assumir o seu verdadeiro papel. Basta de obtemperar, contornar e aceitar. Ou o presidente sai ou o clube afunda de vez. 

Que o presidente devolva a quem de direito aquilo que é incapaz de administrar. Que o Sr. Édson Nogueira volte para o seu lar, pois definitivamente o Arruda não é a sua casa.

  • 11 Comentários
  • Categoria: Artigo
  • Cardápio de um tricolor

    cardapio.jpg

    Amigos do blog, aqui vos escreve o mais novo nutricionista do Torcedor Coral.

    Tenho ouvido em rádios e comentários que a coisa está temerosa que nossa torcida deprede, estrague e destrua a casa de festejos. Eu também ficaria com medo, se fosse o contrário. Receber aqueles coisinhos em nossa casa é de dar medo mesmo. Mas, antes de qualquer coisa, aviso que sou, aliás, acho que somos severamente contra qualquer atitude violenta.

    Mas, por se tratar de uma situação incomum, não poderia passar em branco não tirar uma gréia naquele chiqueiro. Por isso, vou revelar para vocês a idéia que eu tive.

    Na sexta feira, meu café da manhã será vitamina de mamão com granola. Almoçarei uma buchada com molho de cabidela por cima do pirão, regado a umas cervejinhas. Para jantar, algo com bastante repolho. Durante esse dia, tomarei quatro “imosecs” (remédio para arrolhar as tripas).

    No sábado, meu café da manhã será no Mercado da Madalena, comendo uma língua ao molho madeira com vitamina de abacate. Daí, o dia todo de tira-gostos como sarapatel, moela de galinha, carne de porco guisada e cerveja. Mais quatro “imosecs” durante o dia.

    No domingo, de café da manhã uns ovos temperados e batata doce. Depois, mais tira gostos como cabidela, feijoada, quiabada. Jogo do Santa: salsichão, cachorro quente e coxinha de aquário. Mais 4 imosecs no bucho.

    Na segunda, amanheço inchado e com a barriga doendo por ter comigo esses carregos todos e não ido ao banheiro (os “imosecs” não deixaram). Já estarei gases até as orelhas e respirarei com dificuldades. Mas, o tratamento continua. Cupim guisado no almoço, pão com ovo no café da manhã e jenipapo no jantar. Mais quatro “imosecs” para lavar a alma.

    Terça-feira, nem tudo vai bem comigo. Já estou com uma pequena febre e não consigo nem mais dirigir. Minha esposa já não quer estar no mesmo ambiente que eu com medo que essa bomba atômica que está se formando há quatro dias exploda. Meu chefe no trabalho já me liberou sob efeito do mesmo medo. E tome imosec no bucho, acompanhado de uma dobradinha e de umas calabresas fritas bem gordurosas.

    Quarta-feira. Acordei lembrando que temos que meter 2×0 no poderoso Fast-AM e que jogaremos no chiqueiro. Passo o dia passando mal. Mas, nada que uma batata doce com ovo e uma rabada no almoço não resolva. Mais imosec. Chega a hora do jogo e já havia recebido três ligações de Bin Laden querendo me pagar milhões para realizar outro atentado terrorista contra os EUA. Chegou a hora do jogo. Mais um salsichão para lavar e mais remédio no bucho. Dessa vez, não é “imosec”, dessa vez, tomo “Gutalax” (primo do imosec, porém com efeito contrário). Quando as primeiras gotas do remédio atingem meu dilatado estômago, um cogumelo nuclear se forma em meu aparelho digestivo. Lembram daquela vitamina de mamão com granola que tomei na sexta pela manhã? Pois é, ela seria a primeira a sair.

    Obviamente, entro no chiqueiro e nem vou às arquibancadas, procuro logo o banheiro mais próximo. Encontrando, lá fico durante os 90 minutos do jogo. Mas emoção do que descarregar todo o acumulado só os gritos dos 4 gols que o Santa fez. Acaba o jogo, perdi o jogo todo, mas, ao olhar para o banheiro e saber que a diretoria da coisa vai ter que pagar para alguém limpar o pandemônio que deixei para trás durante 90 minutos de diarréia, saio com a sensação de dever cumprido. Afinal, chiqueiro sem merda em abundância, não é chiqueiro.

    Bem gente, vamos ao jogo torcer, mesmo sendo no chiqueiro, vamos sem violência nem depredação, vale fazer faixas, brincadeiras e tudo mais, só não vale fazer nada que não gostaríamos que fizessem conosco.

    Um grande abraço, e, quem quiser me acompanhar no meu cardápio light, basta me procurar.

    Quase um ano depois

    relogio.jpg

     Foi no dia 26 de Fevereiro de 2007, que tinha se visto pela última vez um técnico, um treinador, um cara preparado para ocupar o posto de comandante de um elenco nas repúblicas independentes do Arruda. Nessa data, o vitorioso Givanildo Oliveira pede demissão depois de péssima campanha do clube durante o Campeonato Pernambucano. Durante todo esse tempo, o cargo não ficou desocupado, mas antes tivesse permanecido vago…

    Primeiro assumiu um Preparador Físico. Um estudioso, diziam a época… Um rapaz com muita fé, dizem, de excelente índole (digo dizem, pois não o conheço…), mas que na prática não conseguiu dominar o elenco, nem organizá-lo, nem nada. Um fracasso redundante. Vendo o fracasso do Preparador Físico e não entendendo como isso ocorria, o “expert” do futebol (também conhecido como diminutivo) optou em contratar alguém (imaginava ele) com a sua perspicácia e entendimento extra-sensorial de Futebol. Contratou um Cientista! Tudo bem que ele não era formado.  Só tinha um curso técnico por correspondência, mas mesmo assim se considerava um cientista e estudioso das técnicas do futebol. Dizem, que pretendia fazer um curso na NASA, para entender os efeitos da Lua na prática do Futebol, mas recusou para sentar no banco de reservas do Santa Cruz. E o Cientista tentou revolucionar, inventar, mexeu errado, montou errado, fez de tudo para mostrar ao mundo uma nova descoberta! Mas no fim das contas, apresentou a mesma que conhece tão bem: fracasso.

    Depois de apostar num preparador físico e num cientista, o que mais o diminutivo poderia fazer? Procurando respostas, estava o mesmo na sede do clube, como que esperando por um sinal miraculoso, quando passa na calçada um Zé.

    “É isso!” - Exclamou o diminutivo.

    “O Zé tem boa lábia, conhece todo mundo aqui no clube e já tem experiência nesse negócio, afinal, já treinou o Alecrim e o Unibol!”.

    O Zé, gente boa, ficou com os olhos arregalados com a oportunidade. Deveria ter recusado, pra não manchar o nome dele e do clube. Mas não…Não o Zé que conhecemos. Foram várias e várias pérolas e frases de efeito num curto período. E todo mundo sabe que isso não é suficiente. E lá se foi o Zé.

    Dizem que os citados acima não tinham um bom elenco, jogadores de qualidade para realizar um bom trabalho. Os jogadores que passaram também poderiam dizer o mesmo, já que não havia quem os treinasse e orientasse.

    Quase um ano depois, o diminutivo percebe que deve tentar arriscar novamente com um treinador. Afinal, eles devem saber alguma coisa. E assim foi contratado Fito Neves. É o nome ideal? Não sei. Pode fazer diferença? Claro! Pra quem não tinha nada e agora tem algum, já é uma evolução e afinal, é o único cara do ramo que passa pelo Arruda em quase um ano.

  • 20 Comentários
  • Categoria: Artigo
  • Tem mulher na área

    chuteira-feminina.jpg

     Calma, não precisam parar de xingar o juiz nem a torcida adversária. Fiu-fius são bem aceitos, sem frescura - só não vem com mão boba, porque aí é desaforo. Agora tem mulher também no campo do Torcedor Coral. E fiquem tranqüilos, porque já aprendi as principais regras do jogo: quando um juiz marca falta a nosso favor, qualquer desculpa serve e ponho a mão no fogo pela honestidade da decisão; quando é contra, o juiz é incondicionalmente um ladrão safado. Não é isso garotos?

    Recebi o convite de Dimas para escrever de vez em quando por aqui. Primeiro pensei que ele tinha surtado, mas depois, pensando direitinho… Achei interessante o desafio.

    Assim como Maria Luiza, sou tricolor desde o útero materno. A tricoloridade paterna veio no sangue e nas sugestões diárias. Desde pequenininha odeio a “coisa” - desculpem, mas só falo o nome desse troço quando ele perde e eu posso zoar com os torcedores. Até hoje quando me acusam de ser uma “cobra”, mesmo aqui em Minas Gerais, eu agradeço. Sei que estão se referindo ao meu óbvio amor pelo Santa Cruz, nada a ver com uma língua peçonhenta.

    Não poderei comentar aqui detalhes do jogo, porque… Bem… eh… não transmitem jogos da terc… (vocês sabem do que eu estou falando, não precisa completar). Isso eu deixo para os meninos. Por outro lado, também não darei dicas de culinárias, já que não há receita decente que use carne de leoa ou de timbu. Pretendo escrever sobre o sentimento dos/as torcedores/as - e prometo que esta foi a primeira e última vez que usei esse tal de /as - e narrar algumas histórias que me vierem à lembrança ou à imaginação referentes ao nosso Santinha.

    Por fim, (imitando jogador novo em entrevista) queria dizer que estou muito feliz com a oportunidade que o professor Dimas me deu, me trazendo aqui para o timaço do Torcedor Coral, prometo que vou me esforçar para não decepcionar a equipe nem os torcedores. E é isso aí.

  • 47 Comentários
  • Categoria: Artigo
  • Poeta menor 2

    silencio.jpg

    Get the Flash Player to see the wordTube Media Player.

    Entrevista com Édson Nogueira concedida à Rádio Jornal em 14/02/2008
    Volta por cima - Elza Soares (Paulo Vanzolini)

     Desde o primeiro dia de seu mandato, o presidente coral parece perseguir com obstinação o seu propósito à frente do clube: enterrar o Santa Cruz e jogar a última pá de cal na esperança de todos os tricolores. Isso ou ele é esforçado, mas bem ruinzinho como administrador.

    Édson Nogueira ou Edinho, o simpático diminutivo pelo qual ele é chamado (prefiro chamá-lo apenas de diminutivo, como proposto por Artur Perrusi), parece que sempre andou perdido em duas coisas: em sua administração no clube e em suas palavras.

    Na derrota humilhante frente ao Fast Clube de Manaus, o diminutivo usou sua verborréia para dizer que os críticos que freqüentam a internet não sabem sequer onde fica o Arruda (não sei ele, mas nós estamos lá em todos os jogos). Disse mais. Ao invés de responder questões importantes como, por exemplo, a mágica que ele pretende usar para tirar o Santa desse imbróglio, preferiu atacar os internautas corais afirmando que “tem gente que vive de crítica, pois vive insatisfeito com a vida, insatisfeito com a mulher, insatisfeito com o filho e é perdedor como colega e como irmão”.

    Confesso que, a princípio, achei que o diminutivo se referia ao nosso dileto amigo Valdemágno que assina seus comentários aqui e no Blog do Santinha com a alcunha de Insatisfeito. Eu, na minha inocência, já estava a ponto de ligar para o nobre missivista tricolor e perguntar-lhe se estava tudo bem com a sua família e com o seu trabalho. Só depois caiu a ficha e eu percebi que o presidente não se referia especificamente ao nosso querido internauta, mas a toda torcida coral. Digo a toda torcida, pois acho improvável a existência de uma única viva alma tricolor que considere a administração do Sr. Édson Nogueira supimpa (e aqui não vale contar com  os votos de seus familiares ou empregados, exceto, é claro, se eles também estiverem frustrados com o presidente).

    Como, enfim, todo torcedor coral é um crítico do presidente, fiquei então imaginando milhões de tricolores frustrados lotando os consultórios de psicólogos e psiquiatras. “Artur Perrusi vai ficar rico!”, pensei. Pensei também que não deve haver ninguém mais frustrado profissionalmente na face da terra do que o próprio presidente do Santa Cruz, já que, pra quem se considera um vencedor, como afirmou no início da sua gestão, ele não faz outra coisa a não ser perder.

    E eu que também ando com minha cabeça já pelas tabelas, de súbito percebi que ninguém se importa com a minha aflição de tricolor. Nem mesmo o presidente do clube, que deveria ser a pessoa mais ocupada em tirar o time do atoleiro.

    O diminutivo é incapaz de culpar a si mesmo pelas sucessivas campanhas desastrosas, pois quando o time não perde, apanha. Enquanto isso, eu, de besta que sou, ainda consigo ficar impressionado com o trololó presidencial.

    Há tempos que eu tenho percebido que o presidente adora jogar palavras ao vento. Quem não lembra daquela montanha de balelas que sempre marcou a sua fala pública (veja o artigo Poeta menor, escrito em novembro do ano passado).

    Mas ponho em pauta outra de suas pérolas, dita no calor da vitória eleitoral: “torcedor, me cobrem, pois eu vou cobrar de vocês!”. Cumprimos a nossa parte, nos associamos em massa, mas o diminutivo não cumpriu a dele. O presidente parece se esquecer, por conveniência, de que é o grande responsável pela devastação sofrida pelo futebol coral e não aceita cobranças. É bom que se diga que a torcida está cobrando dentro do seu direito, por conta dos inúmeros equívocos de sua gestão. Mesmo assim, o presidente parece fingir que não é com ele. Além dos mais, o Sr. Édson Nogueira se candidatou ao cargo de presidente por sua livre vontade. Ninguém o forçou. Assim, não venha ele agora achar ruim por ter se tornado vidraça. Tome mais pedrada no seu telhado, por causa disso! 

    Lembro que suas falas tinham o dom de iludir. Eu mesmo caí numa dessas esparrelas. Tal qual ele disse recentemente, no início da sua gestão o diminutivo convidou os torcedores a doarem uma hora por dia do seu tempo para o clube. Sensibilizado, fui lá e comecei a participar de um grupo de planejamento que tinha o objetivo de projetar o Santa Cruz para os próximos cinco anos. Os trabalhos foram realizados sob a coordenação de Fred Arruda, o vice-presidente na época. Passamos quase sete meses nos reunindo semanalmente, mas no final, o diminutivo preferiu não dar atenção ao resultado do nosso trabalho, embora tudo tivesse sido feito com a sua autorização. Até porque, as reuniões ocorriam na sala ao lado da sua.

    Por isso, como ando cansado desse blablablá presidencial, aproveito para finalizar citando Chico Buarque:

    Deixe em paz meu coração
    Que ele é um pote até aqui de mágoas.
    E qualquer desatenção, faça não.
    Pode ser a gota d’água.

    O Sr. Édson Nogueira calado continua um poeta.

  • 19 Comentários
  • Categoria: Artigo
  • Cobra venenosa

      "A minha primeira paixão é o Santa Cruz, mas a minha primeira obrigação é com o Tribunal de Justiça."

      Bartolomeu Bueno, em pronunciamento de renúncia ao cargo de presidente do Conselho Deliberativo, após consulta ao Conselho Nacional de Justiça - CNJ.

    Comentários Recentes

    Arquivos

    Superlinks

    Fotos

    dsc01236.jpg dsc01238.jpg dsc01228.jpg dsc01234.jpg

    Nem todos com a nota

      NEM TODOS COM A NOTA - Transparência e democracia no futebol pernambucano

      Copie o código abaixo e divulgue a campanha em seu blog/site:


     

    fevereiro 2008
    D S T Q Q S S
    « jan   mar »
     12
    3456789
    10111213141516
    17181920212223
    242526272829  

    Usuários online