Torcedor Coral

Torcedor Coral

Comunicado sobre a AGE

Caros Torcedores do Santa Cruz,

Fomos surpreendidos hoje com a notícia nos jornais e rádios sobre a suspensão da Assembléia Geral Extraordinária marcada para a próxima terça-feira na sede do Santa Cruz. Temos a dizer o seguinte:

1 - Nenhum de nós (419 sócios que fizeram a convocação da Assembléia) foi ainda citado por algum oficial de justiça. Assim como o Santa Cruz diz que ainda não sabe da liberação pela Justiça do Trabalho do atleta Thiago Capixaba (haja incompetência!) por não ter sido formalmente comunicado, nós também não fomos formalmente comunicados da infeliz e famigerada decisão do desembargador.

2 - As justificativas do desembargador Dr. Silvio Beltrão são juridicamente equivocadas, para não dizer lamentáveis. Sequer se deu ao direito de ler o estatuto do clube (por sinal novo e aprovado na atual gestão) e os editais de convocação da Assembléia.

3 - Entendemos que a Assembléia está mantida, visto não haver tempo hábil para comunicação aos sócios que convocaram a mesma.

4 - Nessa terça-feira, tomaremos o cuidado de assegurar pelos meios jurídicos cabíveis a realização da Assembléia. Fiquem certos e tranqüilos, pois não abriremos mão do nosso direito, sempre dentro da ordem, paz e legalidade.

Mantenham a mobilização e vamos à luta por melhores dias pro nosso Santa Cruz. Mantenham-se antenados no Blog do Santinha e Torcedor Coral e no programa diário das 12:00h às 13:00h na rádio Capibaribe, pois estaremos informando qualquer novidade.

Saudações Tricolores,

Fred Arruda

A abolição esperada


Flagrante: registro da negativa do juiz à liminar do diminutivo

O Santa terá, na próxima terça, mais uma chance de reencontrar o caminho correto, o caminho das vitórias e do fortalecimento do clube. Nesse dia será realizada a Assembléia Geral, cujo objetivo é o afastamento do Presidente do Executivo, o senhor Édson Nogueira. Há quem tenha medo do processo. Não é o meu caso, digo de antemão.

Os motivos elencados por aqueles que ainda não se mobilizaram plenamente para este embate são basicamente três:

1. A proximidade da terceira divisão.

Esta justificativa, analisada à luz da razão, me parece levar a um comportamento oposto: o engajamento apaixonado na destituição do diminutivo! Pois se há uma coisa que essa gestão já provou é que é absolutamente incompetente no futebol. Iniciar a série C com Nogueira e seus colaboradores é pedir para continuar sendo humilhados, é começar sabendo-nos perdedores.

2. A desconfiança com a oposição.

Esta justificativa é justa, sob certa medida. O afastamento do presidente não é o fim absoluto, é o meio para começarmos uma grande mobilização da torcida. É justa, pois em última instância repousa sobre uma verdade cristalina: “desconfie de quem tem poder”.  E é por isso que todo mandatário de poder deve ser controlado, fiscalizado. O afastamento de Nogueira não outorga carta branca da torcida para o seu atual vice. Não há salvadores da pátria! Mas, por outro lado, tal justificativa não pode ser um elixir paralisante. A desconfiança com os homens públicos não pode nos levar à omissão, à abstenção ou ao imobilismo. É na participação ativa, na luta com seus acertos e seus erros que crescemos. E o atual momento é dramático! É crítico. Nele, certo que não cabe inocências (acharmos, por exemplo, que estamos a galgar o paraíso), mas tampouco cabe covardia ou ambigüidades. O momento clama por mudança já!

3. A “certeza” da ineficácia do ato.

Esta é, definitivamente, a justificativa mais fraca para os céticos. Ora, como sabermos disso antecipadamente? Escrevo estas linhas, amigos, sob o influxo da grande notícia do dia: o Juiz da 29º Vara Civil, José Junior Florentino dos Santos Mendonça, negou liminar a Nogueira, mantendo a Assembléia Geral para o próximo dia 13. Ou seja, vencemos a primeira batalha nessa trincheira! Como entidade de direito privado, o que é um clube senão a vontade de seus sócios? Quando estes, por razões estatutárias, pugnam pelo afastamento de seu chefe executivo, o que há de errado? O terreno jurídico é incerto? É. Mas, repito, diante disso não nos mobilizaremos? Não nos faremos ouvir? Não lutaremos por nosso direito de contribuir para o soerguimento do Santa? Se respondermos um “não” a tais perguntas, e cruzarmos os braços por termos medo do “mundo do direito” e da “batalha de liminares”, corremos um sério risco de estabelecermos um pacto surdo com o caos que aí anda instalado!

É por isso que tenho a certeza de que o momento é de conclamação geral. É hora de juntarmos forças, unirmos energias. Com Édson e seus colaboradores afastados, seguir-se-á uma ampla mobilização da imensa nação coral.

Chega de depredação patrimonial, chega de cúmulo de incompetência no comando do futebol, chega de declarações ridículas!

Todos estão conscientes de que o céu não descerá sobre o Arruda. Também sabemos que não vamos ter nenhum messias à frente do clube. Mas a única chance de sacudir a gigantesca torcida, de por em nossas fileiras a metade do Recife que anda ressabiada de vestir a camisa das três cores, é afastando Nogueira. Hoje o Santa anda, literalmente, fechado para nós. Fechado e às escuras!

Na próxima terça, dia 13 de maio, será o 120º aniversário da abolição da escravatura. Quem sabe se para nós - time dos pretos, dos negros - tal data não se configurará como uma nova abolição e um novo alvorecer de liberdade? Quem será contra nós? Façamos a hora!

Todos à Sede Social no dia 13! Com esperança e dignidade; sem medo e sem inocência. Ao menos tentemos ser vitoriosos, amigos!

É isso: todos ao clube na terça dia 13!

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  • Véspera de decisão

    (Publicação simultânea com o Blog do Santinha)

    Tive um dia longo e estou cansado. Acabo de chegar da reunião convocada pela oposição e já passa da meia-noite quando começo a escrever essas linhas. Confesso que estou sem inspiração. O cansaço traz essas coisas. Mas amanhã terei outro dia cheio e melhor rabiscar alguma coisa agora do que deixar passar em branco a oportunidade.

    Ontem, um auditório lotado de tricolores discutiu questões importantes sobre a Assembléia Geral Extraordinária - AGE, que decidirá sobre o afastamento do presidente diminutivo. A reunião, realizada no auditório do ETC na Avenida Rosa e Silva, também serviu para que os integrantes da oposição apresentassem as medidas emergenciais a serem tomadas e um modelo de gestão que será implantado no Santa Cruz, caso o presidente diminutivo seja afastado do cargo.

    Embora todas essas questões sejam relevantes, prefiro não abordá-las agora. Para tratar disso, solicitei a Fred Arruda, Vice-Presidente do clube, que me enviasse os slides para que oportunamente possamos publicá-los. Meu assunto pontual é outro. A esta altura, estou mais interessante no momento político que se desenha.

    Recentemente publiquei no Torcedor Coral um texto sobre o jogo de xadrez que se tornou a corrida pela cassação do presidente. Estratégias de um lado e contra-estratégias de outro se cruzarão num confronto decisivo no dia 13 de maio.

    Pessoalmente, tenho lá minhas frustrações com a oposição, como fiz questão de deixar claro na reunião. Acho que a confraria Ninho da Cobra teve a sua parcela de culpa na administração do diminutivo. Além disso, de suas fileiras saiu Alexandre Ferrer, o cavalo do presidente coral nesse tabuleiro de xadrez. Por tudo isso, não encaro mais de peito aberto as grandes questões políticas do clube.

    Mas confesso aqui que já superei a fase de fazer conjecturas. Não há mais tempo para isso. Em primeiro lugar, porque depois de tantas bobagens cometidas pela atual gestão, não encontro razão para acreditar num futuro melhor, caso não haja a cassação do presidente. Em segundo, porque de nada adiantaria arrancar o diminutivo de sua cadeira, para ceder o lugar para algum fantasma do passado. Em terceiro, porque gostaria de ver Fred Arruda assumindo a presidência do clube.

    Por isso, estarei na sede do clube, no próximo dia 13, às 16 horas, para votar a favor do afastamento do Sr. Édson Nogueira do cargo de presidente do Santa Cruz.

    Que venham todos.

    Nota da Redação:

     Disponibilizo abaixo a apresentação feita por Fred Arruda, Vice-Presidente do Santa Cruz, na reunião de ontem no auditório do ETC.

    Dimas Lins 

    Mandato Complementar - Prioridades

    Passarinho que come pedra…

    Vi que o presidentezinho gosta de frases de efeito. Usou uma delas no último dia 24, nunca vi poste mijar em cachorro. De fato, é o cachorro que mija no poste, sem que o pobre do poste possa fazer nada contra isso. Triste sina, a do poste. Como eu também gosto de frases de efeito, neste artigo resolvi usar e abusar delas mesmo sabendo de cor e salteado o restante do ditado que é título do artigo. Mas a esperança é a última que morre, e torço para não ser alvo de maus humores pequenos - se é que me entendem.

    Não adiantou muita coisa, para mim, saber que o time melhorou na reta final do campeonato, no último suspiro. Pode ser que alguém tenha ficado feliz, e concordo que é melhor melhorar um pouco agora do que nunca, mas sou mesmo exigente. O time tem que melhorar muito para eu deixar de reclamar.

    Atualmente, a única coisa que me conforta é pensar que a comédia é a tragédia depois que o tempo passou. Estou certa de que um dia, numa Quinta Santa da vida, o desespero que o torcedor coral sente hoje será tema de piada, algo assim como a gafe do João Pinto: o meu clube estava à beira do precipício, mas tomou a decisão correta: deu um passo à frente. Um pensamento muito mais simpático a nós, torcedores, do que esta sensação de que a direção do clube vem levando ao pé da letra o histriônico Zagalo, que afirmou que não precisamos da torcida quando estamos ganhando. A direção do Santa supera a idiotice de Zagalo ao maltratar os torcedores mesmo agora, nessa fase ruim. Difícil de explicar.

    Falar mal do presidentezinho parece que virou o segundo esporte predileto da torcida, e é claro que pode ser que exista alguém no mundo que ache isso um exagero (o homem, afinal de contas, não é filho de chocadeira). Mas eu me defendo citando H.L. Mencken: pode ser pecado pensar mal dos outros. Mas raramente será engano. Sublinho o “raramente”.

    Ninguém é obrigado a postular cargo algum, mas já que quis e que venceu, agora agüente. Agüente as críticas, as pressões, as esculhambações e tudo o mais que houver em conseqüência dos seus péssimos atos. Já que quis ser presidente, leve a missão a sério ou então pede pra sair. Concordo com Ambrose quando diz que o dicionário é o único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho (na época, ainda não existia BBB). Um pouco de humildade do presidentezinho também não faria mal, e nesse sentido Roberto Marinho deixou um sábio conselho: a humildade, se você não tem por virtude, precisa ter por esperteza. É por aí.

    Também não vale colocar a culpa no azar (a sorte é a desculpa dos fracassados, ensina Pablo Neruda complementando a idéia de Virgílio de que a sorte ajuda os ousados).

    É possível que o presidentezinho, do alto de sua estupidez, não saiba por que a maioria dos torcedores o critica tanto. Ele não entende que, para nós, futebol não é uma questão de vida ou morte. É muito mais que isso (Bill Shankley). Quando se leva um clube ao fundo do poço (lembrei de outra: no Brasil, o fundo do poço é apenas uma etapa - Veríssimo), é preciso saber que receberá críticas e cobranças, pelo menos tão intensas quanto o buraco que se cavou. É claro que os torcedores sabem que ninguém ganha todo o tempo (Cacá Diegues: a história tem, de vez em quando, uns ataques epilépticos), mas é ruim de aceitar que LOGO O SEU TIME perca o tempo todo.

    Se é verdade que cada um de nós tem aspectos de ladrão, de sacerdote e de samaritano (Mark Baker), é compreensível que exijamos dos nossos dirigentes pelo menos uma ordem de intensidade de cada um desses elementos. No caso, que os últimos sejam os primeiros.

    Lendo Voltaire aprendi que é perigoso ter razão em assuntos sobre os quais as autoridades estabelecidas estão erradas, e, diante disso, se alguma autoridade se sentiu ofendida com algum trecho deste artigo, eu falsamente peço desculpas e aviso que quase nada do que eu disse aqui é pessoal (nem mesmo autoral). Numa situação dessas, gosto de citar uma das línguas mais ferinas do Brasil, Paulo Francis: não levo ninguém a sério o bastante para odiá-lo, e também argumento que nenhum homem está isento de dizer asneiras. O problema é quando essas asneiras são ditas a sério (Montaigne).

    Tudo o que eu quero com essa colagem de idéias dos outros, é evitar que se cumpra a sentença de Ziraldo, de que depois da impunidade sempre vem a bonança. Deixo os torcedores corais com uma mensagem final: o que o mundo precisa é de mais gênios humildes. Infelizmente, hoje restam poucos de nós (Oscar Levant), e despeço-me à moda de Denilson: F, O, I: FUI!

    Nota da redação:

    Em decorrência da atualização do Wordpress, o gerenciador de conteúdo do blog, e da atualização do plugin do anti-spam, houve um aumento no quantitativo de comentários de nossos leitores que caíram na moderação indevidamente.

    O anti-spam representa um controle indispensável para propagandas indesejadas, por isso, não posso prescindir do seu uso.

    Até o seu ajuste natural, tentarei, dentro das minhas limitações, liberar os comentários presos à moderação o mais rápido possível.

    Dimas Lins
    Editor-mor e faxineiro do Torcedor Coral

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  • Nosso futuro

    santa_cruz.jpg

    Digo logo: este é um texto utópico. Fora do lugar, embora o público seja concreto. Escrevo para uma instituição absolutamente abstrata, que só existe no nosso coração, e não para aquelas ruínas da avenida Beberibe - não escrevo de forma alguma para os destruidores do meu clube. Como escrever um texto, que discute o departamento de futebol e que faz algumas propostas, para os atuais dirigentes do Santinha?

    A Revolução do Arruda pariu um rato, um bem pequeno, um ratinho, um diminutivo. Geralmente, as revoluções devoram seus filhos. São gloriosas e trágicas, ávidas de heróis e mártires. Nunca dão certo, apenas anunciam o futuro, através de um presente ensangüentado. Nossa revolução não teve sangue - cadê a auditoria? Nem anuncia futuro algum, apenas o velho, enfadado e eterno presente dos mesmos, dos mesmos, dos mesmos… E os filhos da Revolução do Arruda? Bem, não são nem dignos de serem devorados, exceto por uma Esfinge banguela. São, na verdade, filhos de Cândido e conseguiram fazer a proeza de desarrumar um grupo que se anunciava interessante: a Confraria Coral. Amigos, os cabras foram seduzidos pelo diminutivo?! É preciso ser muito carente para cair numa tal sedução - nem tomando Pitu!

    Bem, destilei meu ressentimento (é bom e só faz bem) e passo, agora, a discutir algumas propostas para um departamento de futebol, com o enfoque dirigido às divisões de base. Inspiro-me de alguns artigos do Lorde Leo, principalmente daquele no qual ele fala sobre o Sevilha. Serei apenas esquemático, formulando pontos para a discussão e o aprofundamento da questão:

    - sou contra a figura do técnico-manager, isto é, de um profissional que assuma, ao mesmo tempo, a direção do time e do departamento de futebol. Não temos um Alex Ferguson do Manchester United no Brasil, que junta as duas funções, muito menos no Nordeste. O técnico seria apenas um funcionário do departamento de futebol, que tem autonomia na gestão do time, é verdade, mas que segue as determinações do DF, inclusive na formação da equipe;

    - o gestor do DF é o coordenador de uma equipe de profissionais, com um projeto definido de gestão esportiva. É um gestor que entende de futebol, e não um intermediário de jogadores como Ricardo Rocha.

    - a prioridade do DF é a divisão de bases. Por diversos motivos, alguns óbvios - ofereço dois:

    1. os pratas da casa são o principal recurso financeiro, enquanto o Santinha, claro, não entrar na bolsa de valores;
    2. os pratas da casa fazem a mediação entre o clube e a torcida. São os orgulhos da torcida. Criam sentimentos de pertença nos torcedores, principalmente entre os mais jovens.

    - o elenco deve ser composto de, no mínimo, 50% de jogadores oriundos das divisões de base.

    - deve ser instituída a noção de carreira entre os jogadores da base. O jogador segue uma trajetória no clube, que vai do amadorismo ao profissionalismo. Sou a favor de, para cada estágio, um teto salarial. O Santinha é uma “escola” e um “trabalho”. No clube, os jogadores aprendem sua profissão, inclusive a sua deontologia, e a amar seu clube (sua camisa, sua história, seu presente e futuro…). Não só isso: no clube, os jogadores aprendem a ser cidadãos brasileiros. A divisão de base forma jogador e caráter. O Santinha é uma Paidéia

    - o clube dará cursos de “empreendedorismo esportivo” para os pais ou os responsáveis dos jogadores, evitando os abutres, os famosos “empresários de jogadores”.

    - haverá uma filosofia de jogo comum a todas as divisões de base. Não falo de jogar do mesmo modo, mas de respeitar as tradições futebolística do Santinha: jogo bonito, de muita raça e ofensivo. Quando o jogador chegar ao time titular, saberá como se portar em campo e, assim, não haverá a necessidade de adaptação, pois o time profissional jogará também de forma semelhante aos times de base. É o que fazia o Ajax da Holanda, sob o reinado de Cruyff.

    - haverá um investimento considerável na formação de uma rede de olheiros com a atuação no Norte-Nordeste. O Santinha é o terror do Nordeste pelo fato óbvio de ser um clube nordestino que abriga jogadores da região.

    - haverá um considerável esforço para a implementação de parcerias de todo tipo (prefeitura, ongs, clubes estrangeiros, etc e tal) para as divisões de base. O Santinha é o clube do povo de Pernambuco. Devem-se estimular todos os vínculos possíveis com a massa, principalmente com os setores mais pobres da população. O clube deve ter um trabalho social através de suas escolinhas de futebol.

    O Santinha é um clube poderoso, e todo grande poder envolve uma grande responsabilidade, como já alertou o Homem-Aranha (hehe).

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