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Brasão, alegria do povo!

Imagem: Heitor Cunha/DP/D.A Press

Quem foi ao jogo ontem à noite, saiu do Arruda com uma sensação de contentamento que só sente quem está de bem com a vida. Amanhã, é claro, tudo pode mudar, afinal o futebol não é feito apenas de alegrias. Mas hoje, meus amigos, estamos de bem com a vida. Somos só sorrisos, boca aberta e dentes escancarados. Por isso, repito: “Viva a dentadura! Mostremos os dentes, mesmo os banguelas, que rir ainda é o melhor remédio.”.

A classificação para a próxima fase, de certa forma já esperada, veio juntamente com uma boa exibição da equipe. Agora, como disse Gilberto Matuto, tão logo Dado Cavalcanti assumiu o comando do time profissional, o Santa agora joga para ganhar. O time atacou o tempo todo e não deu chances para os manauaras. A gente até pode perder um jogo, mas não será por falta de vontade de ganhar. E torcedor gosta é disso mesmo. Quer mandar o time pra frente o tempo todo, mesmo que essa não seja a melhor estratégia.

Mas o jogo teve um herói. O Santa tem, alias, um herói. Embora Elvis tenha feito os dois primeiros gols da partida, nosso herói atende por outro nome. Brasão, a alegria do povo. Perdoe-nos Garrincha, mas, para os tricolores, Brasão é o cara. Ele corre feito um doido, dá voadores na pequena área do adversário, tem boa finalização, bate falta com perfeição, passa bem a bola e faz gols. Além disso, Brasão tem um marketing pessoal capaz de deixar Cristiano Ronaldo, o maior marqueteiro do planeta, no chinelo. O showman, depois de marcar um belíssimo gol de falta, sacou uma bandeira do Santa Cruz e desfilou para a torcida. O estádio veio abaixo. Seu nome ecoou na arquibancada e ganhou as ruas.

Brasão está na boca do povo, pois representa sangue, suor e alegria. Em qualquer esquina, em qualquer bar, em qualquer canto desta Cidade, em qualquer rincão deste Estado, seu nome é cantado em verso, prosa e em boas gargalhadas. Na internet, Brasão virou um fenômeno. No Twitter, diversos tricolores postaram frases fantásticas sobre o jogador (leia o quadro abaixo) e acabou chamando a atenção de Xico Sá, colunista da Folha de São Paulo, que escreveu sobre o assunto.

“Ambos (Obina e Brasão) infinitamente melhores e mais necessários do que Eto’o para os seus clubes. Os malacos devolveram a alegria que faltava ao Galo e à Cobrinha do Arruda”, escreveu Xico Sá. “O novo ídolo do Santa Cruz fez três decisivos, entre Copa do Brasil e Pernambucano, e devolveu a esperança à ‘poeira’, como se chama o lumpesinato que torce pelo tricolor”, insistiu o autor.

Brasão, nesses termos, extrapola a condição de jogador, um ídolo com a bola nos pés, e finca raiz no imaginário popular. Precocemente, virou lenda e agora faz parte do folclore do nosso futebol. Brasão é o novo Dario, o Dadá Maravilha, aquele que parava no ar, com uma diferença, ele pára o próprio ar, como disse um dos entusiasmados twitters.

Salve, Brasão, o novo herói do Arruda, a alegria do povo!

Brasão Facts no Twitter

  • “Brasão é o pau de dar em doido do Arruda”;
  • “Adversários do Santa pedem que Brasão tome Lexotan antes do jogo, para ficar no nível dos demais jogadores”;
  • “Brasão cabeceia pra cima e quase derruba avião”;
  • “Depois de voadora, Brasão é chamado para o Cirque du Soleil”;
  • “Para equilibrar a partida, técnico do America pede que Brasão jogue no gol”;
  • “Depois de meter a mão na bola, Brasão é chamado para jogar na NBA”;
  • “Brasão chuta o vento e causa furacão no Arruda”.

Nota do autor

Este artigo foi escrito do celular, antes de uma consulta ao oftalmologista. Por isso, há risco que o autor esteja cego.

Presente e Futuro

Futuro

Virei um torcedor de rádio. Na verdade, com a modernidade do mundo, “virei um torcedor de internet”.

Como estou fora do país, acompanhar o Santa Cruz tem sido uma tarefa difícil. Quando os jogos são transmitidos ao vivo pela TV eu consigo acompanhar diretamente através da internet com um pequeno delay. Já aqueles em que a transmissão ocorre somente pelo rádio, fico apenas com o áudio.

Falando sobre o futebol atual, está claro que o time tem muitas limitações, haja vista a disputa acirrada com a Cabense e o Central para se manter vivo e conseguir disputar a fatídica série D. Mas, como o prazo de inscrições para o estadual já se encerrou, resta-nos torcer pelo time que temos no momento.

É, neste contexto, que a vitória de ontem foi fundamental. Vencemos um adversário direto pela vaga da série D e marcamos posição no G-4. Este é o primeiro passo.

Não adianta ficar pensando em título de campeonato pernambucano agora. Vamos ser realistas. Primeiro, temos que consolidar a nossa vaga para a Série D e depois nos classificar entre os quatro primeiros. Aí sim, como já disse anteriormente, tentar virar a zebra coral. Tudo passo a passo.

Alerto para o fato de que é neste momento de dificuldades que as fragilidades aparecem mais, que os jogadores ficam mais expostos. Durante essa fase final do campeonato, veremos aqueles que têm condições de seguir adiante nessa batalha tão penosa de soerguimento do Mais Querido.

Pelo que venho tentando observar, que o time está criando uma identidade. Óbvio que esta identidade está longe de ser a idealizada por mim, mas ao menos já existe um esboço razoável de um time. Afora isto, houve uma melhoria da qualidade técnica de alguns jogadores. Ao que me parece, as chegadas de Brasão, Dedé e Tutti foram muito benvindas. Somem-se, ainda, as possíveis volta de Natan (cadê ele?), Guego, Tiago Laranjeiras e do futebol de Jackson e Élvis. Poderemos ter um meio-de-campo razoável para a Série D. A zaga e a lateral esquerda, sem dúvida, são os setores que vão precisar de maior atenção.

Estou gostando da mentalidade de Dado Cavalcanti. Tenho até me surpreendido pela forma com a qual o grupo está aceitando sua liderança. Apesar da sua inexperiência, venho percebendo que o treinador está tentando dar um “choque de responsabilidade” nos jogadores. Afinal, é preciso que eles saibam um pouco do significado da camisa que estão vestindo e de sua representatividade. Como Dado é pernambucano, ele tem noção da responsabilidade e da força do Santa Cruz. Se ele conseguir transmitir este sentimento aos seus jogadores, ótimo. Se o time chegar à Série D não temendo cidades como Caruaru e times como o Porto ou Central, já terá um grande passo percorrido para o sucesso no segundo semestre.

Antes de finalizar, o que está acontecendo com os juniores do Santa Cruz? Está conseguindo ficar numa situação pior do que a do time profissional. A diferença para o líder da competição é absurda. Eu acompanhei algumas mudanças feitas nos últimos anos na base do clube e posso afirmar que melhorou bastante, em termos de infra-estrutura. No entanto, parece que se seguiu o mesmo exemplo do futebol profissional. Todo o esforço foi feito na embalagem, mas esqueceram do produto. Sem material humano, o resultado será aquele que estamos vivenciando há anos.

Se disserem que o futuro do Santa Cruz está na base, pelo visto o nosso futuro vai ser igual ao nosso presente.

Chega de futuro sombrio. Acorda Santa Cruz!

Pão e circo

Depois que o campeonato pernambucano começou, as discussões sobre o Santa Cruz se limitaram praticamente às quatro linhas. Nada mais natural, já que os tricolores estávamos sentindo falta de ver a bola rolar no campo de jogo desde a nossa eliminação precoce da Série D do ano passado. Além do mais, o início da peleja nos deixou com um medo lascado de nem jogar a competição nacional que nos cabe. Técnico ultrapassado e futebol medonho foram responsáveis por essa impressão. Finalmente, depois que Dado Cavalcanti assumiu, apesar da derrota da última quarta, voltamos a ter esperanças. Mesmo assim a tendência é seguirmos até o fim da competição lutando para ficar no G4. Se vier a taça, será um ganho inesperado, ao menos para mim.

Mas aproveito o dia e o intervalo entre um jogo e outro, já que o Santa jogará apenas no próximo domingo, para mudar de assunto. Vou deixar a bola de lado para tratar de outras coisas.

Já disse aqui e repito agora: ando entristecido com o Conselho Deliberativo do clube. A última reunião foi no fim do ano passado, quando os conselheiros foram convocados a discutir a adesão do Santa Cruz à Arena Capibaribe. Ciente da derrota iminente e utilizando-se de boa estratégia política, FBC se antecipou à decisão que já se desenhava no conselho e anunciou o nosso desinteresse no projeto do governo para a Copa de 2014. De lá para cá, o legislativo do clube parou de vez. Já estamos em março e nada mais aconteceu. Nenhuma convocação, nenhum convite, nenhuma reunião. Nada mesmo.

A responsabilidade por essa paralisação recai sobre a mesa diretora, principalmente sobre o seu presidente, Roberto Arraes. Homem de fino trato, Arraes assumiu o Conselho Deliberativo após o impedimento do Desembargador Bartolomeu Bueno, que foi obrigado a deixar o cargo, depois de consultar, por iniciativa própria, o Conselho Nacional de Justiça. Tão logo assumiu, o novo presidente ganhou o respeito dos conselheiros por sua capacidade em saber lidar, sem grandes abalos, com os diferentes grupos representados no Deliberativo. Arraes buscou dar continuidade à discussão da reforma do estatuto, mas não conseguiu avançar muito. Os trabalhos seguiram lentamente e, a certa altura, já ameaçavam terminar o ano de 2009 inconclusos, como de fato aconteceu. Alguns conselheiros, inclusive eu, sugeriram na tribuna que as reuniões fossem intensificadas e passassem a ocorrer duas vezes por mês para dar velocidade e aprovar o estatuto ainda no ano passado, para que seus efeitos valessem já para as próximas eleições. A proposta foi vista com simpatia, mas o ritmo dos encontros não se modificou e as próximas eleições ainda serão regidas pelas regras antigas. Pelo normativo atual, por exemplo, um dirigente pode ferir o estatuto do clube o quanto quiser, sem que praticamente nada lhe aconteça. No caso da eleição, assunto que deixa qualquer tricolor desconfiado e com os cabelos em pé, não fosse a veia democrática de FBC, que teve o mérito de publicar a lista de sócios um ano antes da eleição – coisa rara no Santa Cruz – a atuação do Conselho Deliberativo seria ainda mais desastrosa.

Durante todo esse tempo, não houve um e-mail sequer da mesa diretora que justificasse o recesso inesperado e inoportuno. Por isso, a insatisfação já começa a crescer entre alguns conselheiros. Alguns deles, inclusive, só pretendem pagar a mensalidade do conselho, quando houver reunião, como forma de forçar novas convocações. Para quem não sabe, os recursos arrecadados pelo conselho contribuiu, ainda que dentro de suas limitações, para a sustentação do clube durante o segundo semestre de 2009, período mais crítico de vacas magras.

Sem que ocorram as reuniões rotineiramente, a sala do conselho vai criando mofo e juntando teias de aranha nas paredes e nos móveis. Com a discussão política deixada de lado, restam aos conselheiros assistirem aos jogos da tribuna de honra, enquanto comem um cachorro-quente.

Por hora, apenas pão e circo.

Convite à sedução

Há tempo, muito tempo, que eu estou sem computador em casa. A placa-mãe queimou. A causa teria sido um curto circuito na saída do microfone. Na tentativa de evitar um incêndio, chamei os bombeiros, mas já era tarde. Na verdade, foi pior. Além da placa queimada, ainda tive o apartamento inundado por tanta água, que me lembrou São Paulo. Depois veio a dura realidade. Como não mais existem motherboards compatíveis com o meu processador, tive que trocá-lo também. Aproveitei também para incrementar a memória RAM, pois máquina nova e memória antiga não combinam bem. Junto com o diagnóstico veio a conta. A nova configuração ficará azeitada, mas o preço também, por causa da imprevisibilidade. Quando a gente não espera, tudo parece mais caro. Chorei tanto junto à assistência técnica que o dono comprou meu processador e os pentes de memória usados. E ainda fez tudo em 30, 60, 90 e 120 para pagar depois de abril. Melhor que o Cred Pio. Ainda vou tentar abater a dívida com propaganda no Torcedor Coral. Tomara que ele tope a parada.

O dano no computador, além do bolso, teve outro efeito: a mudança de hábitos. À noite, depois que minha filha dorme e minha esposa segue para faculdade, fico de bobeira. À força, preenchi o meu novo tempo livre com a televisão. O problema é a programação da TV aberta, que é sempre muito ruim. Gosto dos noticiários, mas detesto todo o resto, principalmente as novelas. Também não consigo entender o telespectador que perde seu tempo assistindo ao Big Brother Brasil. Mas gosto é gosto e cada tem o seu.

Por isso, zapeando entre um e outro canal da TV por assinatura, me deparei com um especial sobre acasalamento. O programa tratava dos rituais de sedução mais bizarros entre os animais. Descobri, por exemplo, que o musaranho, animal de pequeno porte e de hábitos insetívoros, mete a língua na cara e na nuca da parceira para ter o direito a alguns minutos de sacanagem.

Já o gibão, primata que habita as florestas tropicais da Índia, Indonésia e China, é mais romântico. Ele prefere jogar o charme à moda antiga e, do alto da copa das árvores, conquista a fêmea com uma serenata. Não há registro, mas não considero impossível que ele também mande flores.

Entretanto, não há nada mais bizarro do que o ritual de sedução do elefante branco. Oriundo das castas mais altas da Índia, o animal migrou para São Lourenço da Mata, onde tenta se adaptar ao novo habitat. De hábitos complexos e sofisticados, impressiona a fêmea ao balançar a tromba e exibir a carteira recheada de dinheiro e cartões de crédito. No jogo da sedução, oferece centro de treinamento e, se não der certo, costuma convidá-la  para visitar Londres, sob o pretexto de assistir aos jogos da seleção brasileira. Mão aberta, invariavelmente paga passagens e hospedagens, além de uísque e outras mordomias. Depois do acasalamento, cobra cada centavo com juros e correção monetária. É quando o macho obriga a fêmea a assinar um contrato pré-nupcial, onde ela abre mão de seus direitos por 30 anos. Findo esse prazo, o macho abandona a fêmea que, sem casa para morar e endividada, termina com uma mão na frente e a tromba atrás.

Os estudos mostraram que a fêmea poderia evitar todo esse sofrimento, se descobrisse, antes do ritual de acasalamento, que o pênis do elefante branco é ainda maior do que sua tromba.

O dedo de Dado

No quarto gol, Joãozinho se levanta, num rompante, e grita:

_Vou-me embora!

Ninguém entende. Como? Como é que pode? Perguntamos todos a essa fortaleza inexpugnável do Clube do Santo Nome.

_Não estou mais acostumado. O que está acontecendo?

Sim, o que está acontecendo? A pergunta foi uma tapa de luva na cara de todos. Sim, o que estava acontecendo? Eu não esperava, tu não esperavas, você esperava? Podia declamar toda a conjugação e a pergunta continuaria: alguém esperava isso, carai?!

Foi um baile.

Foi uma obra de arte que, há muito, não acontecia no Arruda. Sim, foi arte, e as dezesseis mil pessoas sabem disso. Uma multidão pode cometer atrocidades, mas não mente. Eu estava lá e vi — nós vimos. Foi, também, um resgate de uma conexão entre time e torcida que a gente – sim, a gente, todos nós – tínhamos já esquecido. Meu Deus, como é bom ver o time jogando bem e bonito! Somos nós ali no campo, nós que somos a memória do clube, a torcida, que guarda e venera suas tragédias e suas glórias – nós jogamos, de alguma maneira, nós jogamos, também; por isso, sofremos tanto e temos tanto prazer. E tivemos um dia glorioso no Arruda. Certo, foi contra o Sete de Setembro, mas foi bonito pra dedéu. O time jogou organizado, todos muito bem posicionados; não só isso, não foi só posição, foi o time todo jogando pra ganhar, querendo o gol.

(Eu me levanto a cada ataque do Santinha; pois bem, cansei de me levantar. Enjoei de tanto levantar. Era ataque em cima de ataque. O tempo todo. No final do jogo, estava exausto de tanta alegria)

E quem é aquele Brasão, rapaz? Faz tempo que não vejo uma estreia tão retumbante, no Arruda, de um atacante!  Desculpe o trocadilho, mas Brasão meteu fogo no jogo. Duas bolas na trave; dois passes primorosos, colocando os atacantes na cara do gol; dois passes para fazer o gol; um gol – e, sei lá, uma energia, uma pilha nuclear, uma generosidade, que fazia o cabra ativo o jogo todo.

Pessoal, estamos numa maratona de lascar, mas o time jogou o tempo todo no ataque. Faz tempo que não vejo isso!

A torcida recuperou sua alegria e sua picardia.

Alguém, compulsivo, perguntava pela idade de Brasão. Recebeu como resposta:

_Quer casar com ele?
_Caso na hora! — respondeu uma legião.

Mocinhas já querem casar com Brasão; ter um caso com Brasão; filhos, com Brasão. Foi uma orgia, o que aconteceu no Arruda. Calígula ficaria ruborizado, com certeza. A torcida pirou com o cabra. Achei um exagero, claro. Mas digo, sinceramente: o cabra merece jogar na Copa…

E a torcida continuava:

_Você  quer ter Dado?

E todo mundo dava, porque apoiava Dado, justamente.  E disse um ancestral tricolor, um sábio dos campos de futebol.

_Toda essa mudança teve o dedo de Dado!

E um cabra, um verdadeiro erudito do futebol, disse:

_Dado deu uma dedada!

Não existe tática mais ofensiva do que uma dedada de Dado, o novo técnico do Clube do Santo Nome.

E, sem querer baixar o nível, seis a um foi uma enfiada daquelas em todos aqueles que querem a infelicidade geral da nação.

(enfim, vejo sinais, mudamos, mudou, e quero mais, muito mais)

Bora ver.